Falta de chuva quebra safra de algodão
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segunda-feira, 01 de março de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A safra de algodão que começa a ser colhida no Paraná vai quebrar pelo menos 8%. A exemplo do que aconteceu com outras culturas de verão, a produtividade das lavouras caiu por causa da seca prolongada em algumas regiões produtoras. A produção total, estimada inicialmente em 103 mil toneladas de algodão em caroço, foi reavaliada para 95 mil toneladas.
A engenheira agrônoma Vera da Rocha Zardo, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), comentou ontem que as perdas podem ser ainda maiores. ''Esse foi o primeiro levantamento, mas a falta de chuva continua e ainda há lavouras que precisam de água'', disse.
Até agora, 5% das lavouras já foram colhidas no Paraná. A área aumentou 47% nesta safra, passando de 30 mil hectares (ha) para 44,3 mil ha. O crescimento, segundo Vera, decorre da boa rentabilidade proporcionada pelo algodão. A arroba, hoje, é comercializada por R$ 20,00. O custo variável de produção, para produtividade de 200 arrobas por ha, é de R$ 9,50, o que garante renda maior que 100%.
Almir Montecelli, presidente da Cooperativa Central do Algodão (Coceal), confirma que a cultura proporciona boa renda. ''Chega a ser melhor que a soja'', disse, lembrando que o Paraná já foi o maior produtor brasileiro e, atualmente, precisa comprar de outros estados para suprir sua demanda de 250 mil toneladas.
Ele comentou que o produtor paranaense colhe antes dos principais produtores, o que aumenta as chances de comercializar o produto com bons preços, antes do aumento de oferta inerente ao pico da safra. Para Montecelli, os preços devem permanecer estáveis durante o ano graças à entrada do País no mercado de exportação. Em 2004, o Brasil deve exportar 400 mil toneladas de sua produção, estimada em 1,2 milhão de toneladas. ''O restante é suficiente para atender a demanda interna. Não há excedentes.''
Tradicional produtor de algodão, o agricultor João Francisco, de Londrina, se prepara para voltar a colher algodão após mais de dez anos sem plantar. Ele desistiu da cultura quando sua lavoura foi dizimada pelo bicudo, uma praga que ataca na fase de formação das maçãs. Retomou o plantio no ano passado, em 14,5 hectares de uma propriedade no distrito da Warta. Se a produtividade for boa, Francisco, que já chegou a cultivar 120 ha, vai aumentar a área na próxima safra. ''Vale a pena investir. O algodão bem tocado deixa mais renda que a soja'', afirmou.


