A falta de chuva no Paraná paralisa plantio de soja e já começa a preocupar produtores e cooperativas. Segundo o técnico em meteorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Edmirson Borrozino, a última chuva significativa na região de Londrina foi registrada nos dias 26 e 27 de outubro, quando a precipitação atingiu 43 milímetros (mm). No mês de novembro, segundo Borrozino, foram apenas dois dias de chuva, 10 e 11, com 20 mm.
Segundo o meteorologista do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Vilson Souza Ferreira, não há previsão de chuvas no Estado até sábado. ‘‘E a tendência indica que pelo menos até segunda-feira não haverá ocorrência de chuvas’’, disse.
Segundo o chefe do departamento agronômico da cooperativa Valcoop, de Londrina, Júlio Alberto dos Santos, a ausência de chuvas ainda não provocou perdas, mas já atrasou o plantio das lavouras no Norte do Paraná. Na área de atuação da cooperativa o plantio está entre 30% e 40%, contra os 60% do ano passado, nesta mesma época. ‘‘O maior prejuízo que já detectamos é o atraso do plantio, o que poderá refletir no plantio do milho safrinha no ano que vem’’, comentou. Levantamento feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e do Abastecimento, indica que o plantio da soja atinge 67%. Segundo o técnico do Deral, Otmar Hubner, o plantio ainda não está atrasado. ‘‘Pela média histórica, o plantio atinge 85% no final de novembro, e ainda estamos no meio do mês’’, comentou. Mas o técnico reconhece que o quadro de estiagem é preocupante. ‘‘Os produtores que plantaram no seco podem ter problemas de germinação desuniforme. Mas ainda é cedo para falar em perdas, seria necessário mais uma semana sem chuvas’’, comentou.
Santos, da Valcoop, observou que o clima frio durante as noites e o sol forte acabam estressando as sementes que já foram semeadas. Outro problema, segundo Santos, é a ocorrência de ventos que secam a terra mais rapidamente. ‘‘Quem tratou a semente não terá tantos problemas, caso venha chover. Mas a semente sem tratamento é prato cheio para o desenvolvimento de fungos, o que inviabiliza a germinação’’, afirmou.
Na região de Cascavel, na área de atuação da Coopavel, a falta de chuva paralisou o plantio da soja. Segundo do gerente da Área Técnica da Coopavel, Rogério Rizzardi, dos 85% da área com o grão que já foram semeados, 50% precisa da chuva para germinar, ou desenvolver as plantas que já nasceram. Rizzardi afirmou que o maior problema é que se a estiagem se prolongar mais e os produtores necessitarem fazer replantio, terão dificuldades para encontrar sementes.
O diretor-executivo da Associação Paranaense dos Produtores de Sementes e Mudas (Apasem), Eugênio Bohatch, afirmou que a maioria dos produtores de sementes se previne contra uma eventual falta de sementes com uma reserva técnica. ‘‘Não acredito que irá faltar sementes caso seja necessário um replantio. Mas alguns produtores poderão ter dificuldades para encontrar sementes de cultivares mais precoces’’, disse.ArquivoNo póNa região Oeste, 50% do plantio foi feito no pó, na expectativa de as chuvas não demoraremGuto Rocha

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