Falta de carne pode ser permanente, diz técnico
O zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP), Fabiano Tito Rosa, afirma que o abate de vacas vem evoluindo pelo segundo ano consecutivo e pode se estender até 2006. Ele alerta que o aumento deve ser mais expressivo do que apontam os índices do IBGE, já que as pesquisas não levam em conta o abate clandestino, que responderia por até 40% do total.
De acordo com Tito Rosa, o último ciclo de baixa da pecuária terminou em 1996, quando começaram a faltar bezerros no mercado. Os produtores passaram a reter as fêmeas e, em 2002, já se registrava novamente uma oferta muito grande de bezerros. Desde aquele ano, explica o consultor, o preço do bezerro está ruim e vem recuando. ''Outro fator que acentuou o abate foi o avanço da agricultura, que entrou nas fazendas de cria oferecendo lucros melhores'', completa.
O pecuarista que não acompanha as tendências de mercado acaba sofrendo as consequências do período de baixa, diz o zootecnista. ''Quem só sabe trabalhar com cria, acaba surfando em cima do ciclo, oscilando anos de resultados bons e ruins. O produtor poderia tentar se adaptar, entrar para o mercado de boi gordo e fazer o ciclo completo'', assinala. ''É claro que a queda na produção de bezerros terá impacto negativo na oferta de carne no País. O ideal seria que houvesse um preço bom para o produtor e que fosse constante'', completa.
Para o veterinário Carlos Costa, do escritório da Seab em Paranavaí, o atual ciclo é diferente dos anteriores e pode provocar diminuição permanente da oferta de carne. ''Antes, os produtores trocavam de vaca para boi e vice-versa. Agora é uma troca de pecuária por lavoura. O mal é que isso vai diminuir a população bovina no País'', prevê. (V.N.)





