Falta de capacitação faz Brasil exportar menos
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quinta-feira, 07 de agosto de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba Por mais esforços que os governos façam, é fato que a participação das exportações brasileiras não passa de 1% do mercado mundial. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, dos US$ 6,24 bilhões movimentados pelas exportações mundiais em 2002, o Brasil respondeu por US$ 60,4 milhões, que correspondem a uma participação de apenas 0,97%.
A fraca participação brasileira no mercado externo reflete a falta de crédito para financiar as exportações. Outros fatores, porém, influenciam na falta de cultura exportadora do País. Dentre os quais, a falta de negociadores profissionais e capacitados, e também a falta de profissionais estrategistas em logística para reduzir custos da exportação.
O assunto foi discutido durante a III Feira de Logística do Centro Universitário Positivo (Unicemp), encerrada ontem em Curitiba. Segundo o professor Alexandre Daniel Rosa, coordenador do curso de Comércio Exterior da universidade, está faltando ''arena'' para que os profissionais possam exercitar a negociação com os empresários. E essa situação só será formada quando houver maior participação da pequena e média empresa no mercado exportador, que atualmente é controlado por cerca de 20 grandes empresas exportadoras.
Ele atribuiu essa situação à falta de cultura dos empresários e da política exterior brasileira, que sempre delegou ao Itamaraty, órgão do governo federal, as negociações internacionais na área comercial. Ocorre que os diplomatas do Itamaraty têm o conhecimento das relações institucionais, disse o professor. As negociações empresariais, que são a ''venda'' efetiva dos produtos no exterior devem ser feita por negociadores profissionais, que vão em busca de compradores para os produtos brasileiros. Segundo o professor, formar técnicos que conheçam os mecanismos de importação e exportação é fácil. ''Difícil é formar especialistas em negociação que sentem numa mesa para vender a marca Brasil'', destacou.
Outra falha na área profissional que trava o avanço das exportações brasileiras é a falta de profissionais especializados em logística. Segundo a professora da Unicemp, Nara Pires, doutora em Logística Empresarial, existem operadores de logística, mas não estrategistas, que vão agregar valor ao processo de escoamento da produção e reduzir os custos de exportação. Para a professora, muitas vezes a falta de estrutura para o escoamento da produção, como existe no Brasil, pode ser compensada com estratégias na área de controle e gestão de estoques.


