O fechamento de três barreiras sanitárias pela Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), divulgado ontem pela FOLHA, já repercutiu na cadeia produtiva. O fechamento foi causado pela falta de funcionários para realizar a fiscalização, um dos motivos pelo quais o Paraná não conquistou o status de Estado livre da febre aftosa sem vacinação no ano passado.
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), José Antonio Fontes, argumenta que a falta de estrutura foi justamente o alerta que a entidade fez quanto à tentativa do Estado de eliminar a vacinação. Segundo ele, era necessário que essa medida fosse tomada de forma ponderada. ''Fica cada vez mais difícil lutar para que o Paraná fique livre da aftosa sem vacinação'', avalia.
Fontes avalia que o fechamento das barreiras não coloca em risco a sanidade do Estado ''se as fiscalizações volantes substituírem à altura as barreiras fixas''. Para ele, o ideal seria que o Estado pudesse manter essas três barreiras funcionando. ''Esperamos que esse seja um episódio eventual e que a situação volte ao normal em breve'', comenta.
Segundo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Gustavo Andrade e Lopes, o fechamento é provisório e não interfere na situação do controle sanitário no Paraná, pois o Estado está comprometido e o problema está sendo tratado. ''Essa é uma questão momentânea e temporária'', declara.
O diretor do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Seab, Marco Antonio Teixeira Pinto, revela que de fevereiro a março deste ano 264 funcionários temporários se desligaram devido ao final de contrato. Ele explica que, por esse motivos, o Defis está dando prioridade às barreiras com maior trânsito de animais.
O diretor informa que barreiras móveis ficarão concentradas nas áreas onde atuavam as barreiras que foram fechadas. ''Vamos fazer fiscalizações volantes que podem ser montadas em qualquer lugar a qualquer momento'', informa. Segundo ele, a reabertura das barreiras depende da contratação de pessoal. ''Assim que forem contratados, vamos abrir novamente. O mais provável é que seja no início de abril'', afirma.
Avicultura
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, o fechamento das barreiras sanitárias não interfere no setor de aves. Segundo ele, o sistema de integração existente no Paraná liga diretamente os produtores à indústria. ''Temos um processo de produção isolado que não nos deixa suscetíveis a doenças'', argumenta.

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