Curitiba - As exportações de carne bovina podem ser prejudicadas a partir de março por falta de animais com rastreabilidade. Nos últimos três meses, o número de pedidos para rastreamento de animais caiu de forma drástica segundo o engenheiro agrônomo Luciano Médici Antunes, presidente da Associação das Empresas de Certificação e Rastreabilidade Agropecuária (Acerta).
De acordo com Antunes, para manter os níveis de exportação de 2004, as 27 empresas certificadoras existentes no País deveriam estar rastreando uma média de dois milhões de cabeças por mês. Em outubro, o volume de animais rastreados caiu para 1,8 milhão de cabeças; em novembro baixou para 1,2 milhão de cabeças e em dezembro para 600 mil animais.
A preocupação com a falta de animais é decorrente da demora do processo de rastreabilidade. São necessários no mínimo 60 dias de prazo entre o período de quarentena do animal, providenciar a colocação de brincos e a documentação emitida pelo Ministério da Agricultura, além das vistorias a campo. ''A situação é matemática. Mesmo que todos os pecuaristas resolvam pedir a rastreabilidade de uma só vez, não haverá tempo hábil para o cumprimento de todo o processo'', afirmou Antunes.
Segundo o presidente da Acerta, essa queda foi provocada por boatos divulgados pela mídia de que o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov) seria modificado ou até mesmo suspenso. Também circularam informações que a rastreabilidade deveria ser feita em lotes de animais. ''Com isso, muitos pecuaristas desistiram de entrar com pedido e outros solicitaram a devolução dos pedidos que haviam encaminhado'', destacou.
Antunes lembrou que rastreabilidade por lote não existe em lugar nenhum do mundo. Disse ainda que a União Européia deixou bem claro que exige a rastreabilidade individual dos animais. ''Se o Brasil quiser manter as exportações, terá que seguir essa recomendação'', afirmou. No ano passado, as exportações de carne bovina ficaram próximas a 4,2 milhões de toneladas, conforme projeção do Ministério da Agricultura e geraram uma receita líquida no valor de US$ 2,22 bilhões. O custo de rastreabilidade é de aproximadamente R$ 3,50 por animal. A Câmara Setorial da Carne vai discutir o assunto no próximo dia 10.

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