Falta de aço ameaça pólos industriais
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Várias empresas do pólo metalmecânico de Caxias do Sul (RS) podem parar até o fim do ano por conta da falta de aço no mercado nacional. A afirmação é de João Cláudio Pante, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), que abrange 18 municípios e representa 2,4 mil empresas dos segmentos automotivo, eletroeletrônico e metalmecânico.
Preocupado com a situação, o Simecs, em conjunto com a Câmara da Indústria e Comércio de Caxias do Sul e Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul, encaminhou documento à Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fierg) relatando o problema. A expectativa é de que as entidades busquem uma solução junto ao governo federal.
Pante afirma que a desvalorização do real estimulou o redirecionamento de parte da produção das usinas siderúrgicas para o mercado internacional, o que estaria ocasionando a falta de matéria-prima no mercado doméstico e também o aumento ''abusivo'' de diversos produtos pelos distribuidores de aço. ''As siderúrgicas reduziram os volumes de entrega para o mercado nacional e os distribuidores, aproveitando o momento, têm praticado preços entre 25% e 30% mais caros'', afirma.
Demissões - A fabricante de carrocerias, reboques e basculantes Guerra S.A. Implementos Rodoviários já pensa em demitir 10% do quadro, sobre o total de 880 funcionários, e adiantar o período de férias coletivas, que normalmente vai de 20 de dezembro a 10 de janeiro em decorrência da falta da matéria-prima em suas linhas de produção.
De acordo com o gerente de compras da empresa, Juarez Artico, 70% do aço consumido pela empresa é fornecido pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e o restante pela Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa). ''Realizamos nosso pedido geralmente com 60 dias de antecedência. Estamos em novembro e não recebemos ainda 400 toneladas do pedido de outubro'', afirma. O executivo diz que as siderúrgicas têm atendido apenas 20% dos pedidos, em torno de 1,6 mil toneladas por mês.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico de Caxias do Sul, Herlon de Almeida, a indústria metalmecânica e de material de transportes responde por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, o equivalente a R$ 1,463 bilhão. Existem 1,2 mil empresas metalúrgicas, mecânicas e de material de transporte na cidade, que geram 24,8 mil empregos diretos. O setor responde por 38% das empresas do setor de transformação e por 48,9% dos empregos industriais na cidade.


