Falta 'agressividade' para vender bem as frutas do PR
Vânia Casado
De Curitiba
O produtor de frutas está deixando de ter boa rentabilidade na comercialização porque direciona a produção excessivamente para o mercado interno e dá pouca atenção ao mercado externo. A avalição é do consultor Jean Paul Gayet, do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibref). Ele afirma que as exportações de frutas geram renda anual de US$ 120 milhões, mas têm potencial para triplicar esse valor, se o produtor se dedicasse a produzir para exportação.
A dificuldade em aumentar esse mercado é preparar e conscientizar o produtor para exportar a produção, bastando que para isso produza frutas com qualidade, faça uma seleção e classificação dos produtos na propriedade e que tenha oferta suficiente para sustentar um contrato de exportação.
A maior reclamação dos exportadores é a falta de regularidade na oferta de produção e baixa qualidade das frutas, disse Gayet. além disso, ele destaca que o produtor de frutas é individualista, retraído e resiste em se organizar para formar volume de produção.
Segundo Gayet existe uma demanda acentuada para a compra de limão e uva pelos países da Europa e Estados Unidos, embora frutas como manga, melão e mamão papaya também são bastante procurados.
Com as exportações, os produtores podem agregar de sete a oito vezes o valor obtido no mercado interno. Segundo Gayet, a remuneração média do limão Tahiti é de US$ 0,80 o quilo, o que corresponde a R$ 1,50 o quilo, enquanto no mercado interno o produto é vendido por R$ 0,15 o quilo, valor dez vezes inferior.
A manga tem uma diferença de até quatro vezes entre a venda no mercado interno e externo e a uva é vendida por até 50% a mais no mercado externo.
Enquanto o produtor deixa de usufruir do mercado exportador por falta de preparo, o mercado interno está com excesso de produção de algumas variedades, principalmente em período de safra.
O país é o terceiro maior produtor de frutas, com 33 milhões de toneladas anuais, sendo que metade desse volume refere-se à produção de laranja, que é industrializada e exportada na forma de suco. Apesar de todo esse volume, o país recorre às importações para atender o consumo.
Para se ter uma idéia, o Brasil não produz pera e importa tudo o que consome, em torno de 200 mil toneladas atuais. Ainda importa maçã, apesar da evolução e profissionalização que houve no setor nos últimos anos, diz Gayet. Isso porque houve aumento na produção, mas também houve expansão do consumo.
A produção de maçã evoluiu para 700 mil toneladas atuais, quando era inexpressiva há 15 anos, mas o consumo que era de 50 mil toneladas naquela época, hoje avançou para quase 1 milhão de toneladas.





