Uma em cada três xícaras de café servidas em todo o mundo é de grão brasileiro. O produto brasileiro ganhou o mundo, detém 30% do mercado com a exportação de 28 milhões de sacas por ano. Apesar do resultado extremamente positivo, ainda há espaço para crescer. E falta agregar valor à commodity, apesar dos esforços que vêm sendo feitos por produtores e indústrias. ''Falta uma política de governo, com promoções do produto brasileiro'', avaliou Raquel Salgado, da Associação Brasileira de Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba) e Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).
O assunto foi abordado ontem durante a Expo Café e Negócios 2008. O evento, organizado pela Ievento, foi realizado no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Na avaliação de Raquel, o setor produtivo tem buscado a qualidade do café nacional, mas ainda não é suficiente para reverter a imagem do produto no exterior. ''A Itália e a Alemanha são os maiores exportadores mundiais de café torrado sem ter plantado um pé. O Brasil exporta apenas a commodity'', disse. Segundo ela, em 2006 a Itália lucrou cerca de US$ 613 milhões com as exportações de café torrado, o equivalente a 1,74 milhão de sacas.
Já a Alemanha comercializou 2,35 milhões de sacas em 2006 e faturou US$ 495 milhões. ''O Brasil produz entre 1 milhão e 1,2 milhão de sacas (de 60 quilos) de cafés especiais por ano. No entanto, grande parte da safra é vendida para outros mercados e os principais destinos das exportações são Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Bélgica'', observou ela. Na sua avaliação, o mercado consumidor de café está sendo modificado positivamente e o Brasil deve aproveitar esta mudança de comportamento a seu favor. ''Temos condições de atender mercados de todos os níveis, mas tem que ser desenvolvido um trabalho forte de promoção'', disse.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) o café nacional tem conquistado seu espaço no mercado: em 99 tinha 19%, contra os 30% atingido no ano passado. As exportações chegam a 28 milhões de sacas por ano, enquanto o Vietnã (o segundo maior exportador mundial) comercializa 13 milhões de sacas e a Colômbia (famosa pela qualidade) vende 10 milhões de sacas. Neste ano, as exportações devem crescer 12% em faturamento, atingindo US$ 4 bilhões. O aumento da receita está amparado no reajuste dos preços das commodities e na queda dos estoques mundiais.
Além do crescimento no mercado externo, a meta da Abic é aumentar o consumo interno, saindo dos atuais 17 milhões de sacas para 21 milhões de sacas. Com isso, cada brasileiro passaria a consumir 95 quilos de café por ano, enquanto, atualmente, cada pessoa bebe 74 litros por ano. ''No mundo o mercado do café cresce 1,5% ao ano mas, no Brasil, cresce 5%. Já o mercado de cafés especiais e gourmets aumenta 20% ao ano'', disse Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic. Segundo ele, o Brasil é um dos primeiros países a investir em programas de qualidade, inclusive, com selo de pureza e programas de certificação e controle.
''No mercado há cafés de todos os tipos e, embora a qualidade tenha melhorado, os mais baratos não são os melhores'', comentou Herszkowicz. Ele acrescentou que aumentou a quantidade de cafés de alta qualidade no mercado nacional e que, atualmente, são poucas as marcas não recomendadas pela Abic. ''Comparando com os outros produtos da cesta básica o preço do café foi o que menos subiu. Os brasileiros têm consumido mais o café gourmet porque o seu preço não afeta o orçamento doméstico'', afirmou.

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