Falta aço para metalúrgicas do Paraná
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O aço está sumindo do mercado e a falta desta matéria-prima já está comprometendo o fechamento de contratos por parte das empresas metalúrgicas do Paraná. Se a situação não for revertida rapidamente, em 45 dias as metalúrgicas serão obrigadas a frear a produção, o que deverá provocar uma ''paradeira'' total no mercado, alertou Roberto Karam, presidente do Sindicato da Indústria Metal Mecânica e de Material Elétrico do Estado do Paraná (Sindimental).
A falta de aço e o preço elevado da matéria-prima estão afetando as indústrias em todo o País. No ano passado, o preço do aço subiu 63% e este ano já subiu 12%. Esse aumento supera a variação cambial, disse Karam. Mas o que está dificuldando a negociação, segundo o empresário, é a falta da matéria-prima, provocada pela elevação das exportações.
Em função do câmbio valorizado, as usinas de aço elevaram as exportações e com a entrada da China no mercado importador, praticamente não estão sobrando chapas de aço para abastecer as metalúrgicas brasileiras. Com isso, está havendo um aumento na exportação de produto de baixo valor agregado. Para Karam, se esse aço fosse transformado aqui, pelas indústrias que também estão elevando as exportações, o ganho do País em dólar seria bem maior.
No Paraná, a situação está afetando cerca de 2,3 mil indústrias que dependem do aço para fabricação de seus produtos. Elas empregam cerca de 30 mil trabalhadores metalúrgicos na Região Metropolitana de Curitiba e consomem em média 440 mil toneladas de aço, um volume já considerado expressivo para o Estado. Se a produção destinadada às metalúrgicas for reduzida em 20% a 30% como estão cogitando as usinas, Karam avisa que as empresas serão obrigadas a demitir trabalhadores. Ele acredita num aumento de 15% a 20% no índice de desemprego no Estado só com a demissão de metalúrgicos.
Além do desemprego, Karam fala do efeito multiplicador que a falta de aço provoca na economia. Segundo ele, justamente agora que as fábricas de tratores, de automóveis, de eletrodomésticos estão se preparando para um aumento na produção para atender a elevação das exportações que estão beneficiadas pelo câmbio, elas não têm a segurança no fechamento de contratos em função da escassez da matéria-prima.
Karam disse que uma metalúrgica da região metropolitana foi obrigada a cancelar um contrato com uma montadora de caminhões porque a usina não garante a entrega do aço para a empresa.
A perda dessa fatia do mercado interno é outro problema, apontado por Karam. Com a falta de aço, as grandes indústrias importam as peças e as metalúrgicas perdem essa fatia do mercado interno, ''tão difícil de conquistar''.


