Falências no País caem ao menor nível em 5 anos
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Conforme o indicador Serasa Experian sobre falências requeridas e decretadas, em novembro deste ano o país registrou o menor patamar para este período específico desde 2005, quando entrou em vigor a Nova Lei de Falências. O resultado, segundo especialistas, reforça uma tendência de queda que é fruto tanto do momento econômico quanto dos avanços alcançados com a legislação.
De acordo com a Serasa Experian, o penúltimo mês do ano acumulou 148 pedidos. Destes, 92 foram feitos por micros e pequenas empresas, 35 por médias e 21 por grandes. A comparação com novembro do ano passado, quando os pedidos de falência somaram 204, aponta queda em relação a todos os portes de empresas. Já as falências decretadas em novembro de 2010 somaram pouco mais da metade acumulada no mesmo período do ano anterior: 56 contra 100, respectivamente. Com 52 casos, novamente as micros e pequenas empresas dominaram os registros.
Na avaliação da Serasa/Experian, os indicadores econômicos favoráveis ampliaram a geração de receita das empresas e reduziram a inadimplência e insolvência. Os números referentes aos 11 meses do ano reforçam a expectativa positiva. ''Os dados acumulados mostram que a insolvência das empresas é decrescente na comparação com 2009, ano que registrou os impactos da crise financeira global e a menor oferta de crédito para pessoa jurídica'', destaca a entidade.
Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em administração financeira pela Universidade de São Paulo (USP), Pedro Steiner diz que é natural as micros e pequenas empresas dominarem os pedidos e decretos de falência porque representam cerca de 60% da força produtiva do Brasil.
Além disso, ele cita que a crise de 2008 atingiu as empresas apenas em 2009. Em 2010, o empresariado pegou carona no crescimento econômico em torno de 8% e alcançou uma situação mais confortável. ''Consequentemente, foram registradas menos falências'', reforça o professor. Nem mesmo a valorização do real frente ao dólar - problema que tem preocupado o Governo - deve alterar este cenário, na análise de Steiner.
O especialista concorda que a Nova Lei de Falências diminui os riscos de as empresas encerrarem suas atividades, mas pontua que nem sempre o fechamento é só negativo. ''O fato de uma empresa fechar suas portas não significa que o produto que ela fabricava deixará de ser produzido e consumido. Ele será produzido por outra empresa, mais saudável'', afirma, lembrando que os postos de trabalho que se perdem numa região podem ser reabertos em outro local.


