O volume de falências requeridas em Londrina diminuiu 33,3% em julho comparado ao mesmo período do ano passado. No entanto, o acumulado do semestre registrou um crescimento de 12,9%. Esses dados fazem parte de uma pesquisa realizada em todo o País pela Serasa (Centralização de Serviços Bancários). Segundo o assessor econômico da entidade, Carlos Henrique de Almeida, a situação é semelhante em qualquer cidade brasileira cuja economia esteja calcada em empresas de pequeno e médio portes, principalmente comércio.
No mês passado, em todo o País foram requeridas 1,5 mil falências; 445 foram decretadas. Nos primeiros sete meses do ano, o volume de falências requeridas no País cresceu 1,7% em comparação ao primeiro semestre de 2002. O mesmo ocorreu com o número de falências decretadas que subiu 15,4% no período em relação ao ano passado. ''Em áreas com indústrias de grande porte, a quantidade de falências é menor. Para essas empresas, a possibilidade da concordata (segunda chance de negociar as dívidas) ainda pode ser considerada em alguns casos'', explicou o economista.
Na pesquisa, a Serasa também levantou o volume de protestos de pessoas físicas e jurídicas. Entre os primeiros, a quantidade registrada em julho foi 19,9% menor que o mesmo mês de 2002 no País. De janeiro a julho, foram confirmados 2,2 milhões de títulos protestados de pessoa física, ou seja, um decréscimo de 16,2%, comparado ao mesmo período do ano passado. No Paraná, a queda em julho foi de 15,4% e, em Londrina, foi de 12,7%. De acordo com Almeida, esse item revela apenas parte da inadimplência entre pessoas físicas porque existem outras nomenclaturas para registrar falta de pagamento. ''Hoje em dia, o mais comum é tentar receber através da negociação. O protesto é o último caso porque ele exige gastos cartorários do credor.''
Por outro lado, o volume de protestos contra pessoas jurídicas é importante para a análise econômica porque ela é o primeiro passo antes da insolvência da empresa (concordata ou falência). De acordo com a Serasa, em julho foram protestados 359 mil títulos de empresas no País. Isto significa uma queda de 19,6% comparado ao mesmo período de 2002. Entre janeiro e julho, o volume de protestos de pessoa jurídica também apresentou queda de 6,8% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
Segundo Almeida, o volume de protestos de pessoa jurídica apresenta queda devido à menor demanda por crédito pelas empresas que evitam o capital de terceiros, sobretudo o de curto prazo, que tem custos mais elevados e que não encontraram, até julho, contrapartida na reação das vendas. As empresas procuram não ter problemas de pagamento com seus fornecedores para que, no caso de reposição rápida de estoques, sejam prontamente atendidas. ''Os juros altos forçaram a redução no ritmo de atividade produtiva no primeiro semestre. A queda na taxa Selic é um alívio para todos, mas o consumidor ainda vai demorar a sentir seus efeitos. A retomada do crescimento deve começar, provavelmente, a partir do último trimestre do ano'', opinou o assessor da Serasa.

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