Falência não afetará mercado de aves
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segunda-feira, 02 de maio de 2005
Agência Estado 
São Paulo A decretação de falência da Chapecó não deve trazer nenhum impacto ao mercado de avicultura industrial, que tem Sadia e Perdigão como líderes. A avaliação de analistas é que a empresa estava fora de atividade há anos e a decisão da Justiça apenas oficializou o fato. Marcio Kawassaki, da Fator Corretora, considerou que a notícia já era esperada e os reflexos são restritos pois quase todos os ativos da empresa já tinham sido arrendados a concorrentes. ''A decisão não traz efeito prático nenhum'', disse Pedro Galdi, da ABN Amro Real Corretora. O analista Rafael Weber, da Geração Futuro, acrescentou que o market share da companhia já era bem baixo e nem figurava por exemplo nas pesquisas da ACNielsen.
Até mesmo a marca Chapecó, na opinião de Weber, seria de pouco interesse para as companhias pois está mais relacionada ao produto in natura e não ao segmento industrializado que é onde as empresas estão investindo mais, a fim de alcançarem maior rentabilidade por causa do valor agregado. ''A marca não somaria tanto'', disse.
A falência da empresa foi decretada na sexta-feira pela juíza Rosane Portella Wolff, da 3 Vara Cível de Chapecó (SC), que classificou como ''uma farsa'' o pedido de concordata feito pelos controladores da empresa em janeiro do ano passado, depois de uma crise que se arrastou por nove anos. A dívida da empresa soma cerca de R$ 1 bilhão, do qual o BNDES é credor de 60%. Em 1997, a empresa passou por uma reestruturação que resultou na transferência do controle acionário em 1999 para o grupo argentino Macri.
Em 2001, a empresa enfrentou forte crise financeira, motivada pela situação na Argentina. Em 2003, os controladores abandonaram a direção. Houve ainda uma tentativa de arrendamento para a Comércio e Indústrias Brasileiras Coinbra S.A., empresa do Grupo Francês Louis-Dreyfus, que não prosperou. O pedido de concordata foi feito em janeiro de 2004 e o vencimento ocorreu em janeiro de 2005. Após perícia judicial, a Justiça de Santa Catarina optou pela decretação de falência.


