Falência da Montage complica clientes
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sexta-feira, 11 de julho de 1997
Vânia Casado Curitiba 
Clientes credores da empresa de telefones Montage, de Curitiba, vão ter que se habilitar para tentar conseguir de volta o dinheiro investido em linhas telefônicas. A empresa teve sua falência decretada anteontem pela juiza da 3ª Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas, Jocely Dietrich. Com a decretação da falência, ficou mais difícil para os clientes reaverem seus créditos junto à empresa.
Agora esses clientes terão de contratar um advogado para entrar com pedido de habilitação de crédito junto ao síndico da massa falida. Segundo informações da 3ª Vara, o processo dos credores deverá ocorrer em separado. Foi descartada a abertura de um processo em bloco, onde apenas um advogado poderia ser contratado para defender o interesse dos credores.
O edital da falência deverá ser divulgada na quarta-feira e a juiza já nomeou o síndico que vai fazer um levantamento dos bens da empresa para compatibilizar o pagamento dos débitos junto aos credores. O síndico nomeado é Elvo Berto, de Curitiba. Mas a decretação da falência não interrompe o processo de negociação de venda da Montage para a Phone Sul, que iria adquirir os passivos e os itens recebíveis, informou o proprietário da Montage, Antonio Klodzinski. Ele ressalta que as negociações estão se prolongando diante da indefinição da Telepar que ainda não decidiu se aceita ou não transferir mais de 700 linhas que a Phone Sul tem no interior para Curitiba. Com essas linhas a empresa iria garantir o fornecimento dos contratos já pagos, explicou.
Se não houver uma decisão favorável da Telepar à Phone Sul, fica mais distante o pagamento dos contratos, concorda Klodzinski. Isso porque os bens da empresa constituídos no imóvel que abriga a sede, mais as linhas telefônicas disponíveis, ficam bloqueadas pela falência. O síndico terá de fazer um levantamento da massa falida para depois decidir sobre os pagamentos. E certamente um processo de falência demora muito tempo, admite.
Klodzinski garante que a empresa tem bens suficientes para cobrir o prejuízo dos clientes. Ele acredita que a somatória dos contratos recebíveis e dos pagamentos está equilibrada. A quebra da empresa ocorreu, segundo a direção, porque as declarações do ministro Sergio Motta de que o preço das linhas telefônicas cairia para R$ 300,00 provocou uma retirada em massa dos clientes. Com isso houve uma diferença entre os contratos a receber, de longo prazo, e os pagamentos imediatos, gerando um rombo de R$ 3,5 milhões na empresa.
Quando a Montage fechou as portas no dia 3 de junho, a empresa possuía uma carteira de venda com cerca de 1,5 mil clientes, dos quais apenas 413 tinham seus contratos já quitados. Os outros 1.087 clientes ainda não haviam integralizado o pagamento das linhas telefônicas.


