Falência da Daewoo ameaça empregos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de novembro de 2000
France Presse De Seul 
Os bancos credores da Daewoo Motor declararam ontem a falência da segunda fabricante de automóveis da Coréia do Sul, depois que os sindicatos se recusaram a aceitar um plano de redução da mão-de-obra. A resposta negativa aumentou a ameaça de milhares de demissões no mundo inteiro.
Hoje, os credores declararam a suspensão dos pagamentos da Daewoo Motor, anunciou Uhm Rak-Yong, diretor do Korea Development Bank (KDB), primeiro credor da fabricante de automóveis.
Os bancos tomaram esta decisão depois da Daewoo se mostrar incapaz de pagar uma dívida de 44,5 bilhões de wons (US$ 39 milhões), apesar dos bancos terem concedido um novo prazo até terça-feira. Outras dívidas, no valor de 80 bilhões de wons (cerca de US$ 78 milhões) vencem igualmente esta semana. No total, a Daewoo Motor deve cerca de US$ 10 bilhões.
A Daewoo Motor foi criada oficialmente em 1982, e se converteu rapidamente na menina dos olhos do grupo Daewoo. Desde o anúncio da falência oficial do grupo, a Daewoo Motor conseguiu uma série de créditos urgentes, mas o futuro parecia cada vez mais incerto. Principalmente, depois que a fabricante norte-americana Ford retirou a oferta de compra de US$ 6,9 bilhões em setembro.
Os bancos credores deram 24 horas adicionais à empresa sul-coreana para realizar um acordo entre a direção e os sindicatos sobre um plano de supressão de 3.500 empregos, condição imposta pelos bancos para continuar prestando seu apoio. Entretanto, os sindicatos recusaram a proposta.
A partir de agora, podem acontecer várias outras falências de empresas ligadas à fabricante de automóveis. A Daewoo Motor contava com 504 fornecedores, que empregavam cerca de 300 mil pessoas.
Brasil O presidente da Daewoo no Brasil, José Geraldo Sampaio, diz que a decretação da falência da montadora sul-coreana não vai prejudicar as vendas nem afetar a reposição de peças no País.
Sampaio garante que a empresa nacional dispõe de cerca de US$ 5 milhões em peças no estoque. Por mês, segundo ele, são vendidas entre R$ 150 e R$ 200 mil aos consumidores brasileiros.
O presidente da Daewoo no País acredita ainda que a decisão não vai comprometer a importação de novas peças. Quase tudo hoje é terceirizado e não há motivos para pânico, diz.


