Fala de FHC decepciona; EUA podem baixar juros
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quarta-feira, 07 de outubro de 1998
Agência Folha 
O discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso foi mais genérico do que esperava o mercado financeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo, que chegou a operar em alta de 1,36% pela manhã, despencou às 16 horas, após a declaração, caindo mais de 5%. Terminou com desvalorização de 2,83%. No Rio, a Bolsa registrou queda de 2,37%.
Os mercados brasileiros tiveram pouco volume de negócios e prestaram atenção no discurso de FHC e em Nova York, que terminou estável, com 0,02% de baixa. Na abertura em Wall Street, com a recuperação forte na Ásia e a valorização do iene, houve otimismo. Mas o discurso do presidente do Fed, banco central dos EUA, Alan Greenspan, que admitiu a recessão, fez com que os investidores vendessem as ações do setor de informática e alta tecnologia.
O mercado, entretanto, tomou as declarações de Greenspan como um sinal de que o Fed continuará a cortar a taxa de juros, uma semana depois de te-la reduzido de 5,50% para 5,25%. Especula-se que redução igual pode ser feita em novembro e que até julho de 1999 outras duas diminuições de 0,25 ponto percentual poderão ocorrer.
Greenspan disse que ainda não há nos EUA, como em muitas outras partes do mundo, um esmagamento de crédito . Mas ele admitiu que houve dramática mudança nos mercados nos últimos meses: de uma exuberância irracional em que grandes riscos eram considerados normais para uma preferência pelas opções mais conservadoras e seguras.
Havia parcela dos investidores esperando que o presidente FHC anunciasse alguma medida concreta ontem, no mínimo metas fiscais precisas. Agora, há uma percepção generalizada de que a estratégia do governo é continuar a ganhar tempo até o final do segundo turno das eleições.
O governo, avaliam os investidores, precisa jogar todas as suas fichas para eleger os seus candidatos preferenciais em quatro importantes Estados nos quais as eleições ainda não estão definidas: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Ontem, o Banco Central voltou a subir os juros, ao tomar dinheiro emprestado a 41% ao ano, contra 40,90% ao ano ontem. É essa atuação do BC no over que importa, dizem analistas. Indica que as taxas vão continuar a subir. Se o BC alterasse, na reunião do Comitê de Política Monetária, o teto ou o piso dos juros do over, seria uma mudança apenas formal. A Tban, o teto do over, estava ontem em 49,75%, e a TBC, o piso dos juros do over, em 19%.


