O futuro secretário nacional de Política Agrícola, Ibrahim Faiad, afirmou ontem em Curitiba que pretende apresentar duas propostas mais urgentes para resolver os problemas do setor agropecuário do País: baixar de 8,75% para 6% as taxas de juros para os créditos agrícolas e fazer com que o dinheiro dos financiamentos chegue no tempo exato para cada produtor. Faiad deve assumir o cargo nos próximos dias, mas ontem mesmo viajou para Brasília para a primeira reunião no Ministério da Agricultura. Ele substitui o secretário exonerado Benedito Rosa do Espírito Santo, que passa a ocupar a presidência da Conab, no lugar de Eugênio Stefanelo.
Faiad tem esperança de implantar as mudanças já para a próxima safra de verão, que começa a ser plantada a partir de agosto. ‘‘A mudança é para anteontem’’, disse o secretário nomeado. O crédito de custeio para a safra de verão será de R$ 10 bilhões, segundo previsão orçamentária feita pelo Ministério da Agricultura. No ano passado, o governo federal prometeu R$ 11 bilhões, mas liberou R$ 8 bilhões.
Ainda meio surpreso com a nomeação, Faiad disse que soube que substituiria o secretário Benedito Rosa do Espírito Santo, às 23 horas da quinta-feira da semana passada. ‘‘Entrei como Pilatos nesta história, isto é, meio acidentalmente’’, admitiu. Ibrahim Faiad é produtor rural da região oeste do Estado, onde ocupou a presidência da Cooperativa Agropecuária de Cascavel (Coopavel).
Filiado ao PPB e diretor-presidente da Agência de Fomento até o início desta semana, Faiad atribui a escolha de seu nome à articulação feita por políticos paranaenses junto ao presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘Forças políticas interferiram, entre elas, a do presidente da Itaipu, Euclides Scalco, que é amigo pessoal do presidente’’, afirmou Faiad. O governador Jaime Lerner confirmou ontem que apresentou o nome de Faiad.
O secretário indicado avalia que seu trabalho na Secretaria poderá surtir mais efeito do que o de seu antecessor. ‘‘O cargo era exercido por um professor catedrático e agora entra um agricultor. Vamos ver o que vai acontecer’’, afirmou. Ele disse ainda que a solução para os problemas não vem da teoria, mas da prática. Para Faiad, até agora havia uma ‘‘desintonia’’ na política de crédito agrícola do governo.
Turra O ministro Francisco Turra, comentou ontem as demissões ocorridas no ministério, afirmando que a intenção é buscar a integração e a unidade.
O nome do novo secretário-executivo do ministério será definido após a chegada de Fernando Henrique dos EUA, (previsto para ontem à noite), mas negou que o indicado para substituir Ailton Barcelos seja o ex-presidente do Incra, Paulo Yokota, que teria o apoio do deputado Delfim Neto (PPB-SP).
Em relação a denúncias de irregularidades no Ministério, Turra assegurou que ‘‘nada vai ficar debaixo do tapete’’ e disse que os processos de apuração às vezes são demorados, o que deixa a sociedade com a impressão de que nada está sendo feito. Ele lembrou que já demitiu pessoas e disse que está cobrando contas, assegurando que tem tomado todas as providências para esclarecer tudo e punir os responsáveis.

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