Faep sugere cautela com transgênicos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de maio de 1999
Vânia Casado 
Assustados com a relutância dos países europeus em não comprar produtos transgênicos, os produtores paranaenses querem mais informações sobre essa tecnologia. A Europa consome 70% das exportações brasileiras de soja e a vinda de representantes de supermercados europeus ao Paraná, alertando para os produtores reservarem áreas para o plantio tradicional, foi decisiva para uma mudança de comportamento. A Faep organizou, ontem, um debate com palestrantes especialistas na área de produtos transgênicos para esclarecimento do assunto.
Após esse debate não dá mais para entrar de cabeça no plantio de transgênicos, resumiu o assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque. A recomendação da entidade daqui para frente é cautela, ressaltou. Estiveram na Federação os professores Miguel Guerra, da Universidade de Santa Catarina e Claudio Puríssimo, da Universidade de Ponta Grossa.
Os produtores se arrepiaram quando ouviram o alerta do professor Claudio Puríssimo de que pode haver contaminação ecológica. Ou seja, uma semente transgênica pode contaminar a semente de uma outra leguminosa, que estiver perto das lavouras. Albuquerque admite que os produtores até que vinham se animando com as vantagens de redução dos custos de produção. Mas agora é o momento de pensar bem sobre o assunto porque uma decisão dessas não é brincadeira, afirmou.
Segundo a engenheira agrônoma Maria Silvia Digiovani, a Faep está interessada em ouvir o lado contrário daquilo que as multinacionais apregoam. Elas falam em redução de custos de 10% a 40%, mas isso ainda não está devidamente esclarecido, ressaltou. Adianta ganhar na redução de custos e perder mercado? Outra dúvida levantada pela Faep é que não está comprovado que a soja transgênica é mesmo resistente ao herbicida. Será que apenas uma aplicação do herbicida será suficiente para combater as ervas daninhas? - indagou. Além disso, o custo dessa semente será maior que a semente comum, disse a técnica.
Digiovani argumentou que os produtores querem ver o custo de produção das plantas transgênicas melhor detalhado. Eles querem saber se o ganho com a redução de custos não será absorvido no preço da semente. Conforme o professor Guerra, a economia não será tão grande quanto falam as multinacionais.
Pode haver uma economia de 10% a 15% no custo de produção, mas, em compensação, a produtividade da soja pode cair, conforme revelam experiências com plantio de transgênicos nos Estados Unidos e Europa. A verdade é que os produtores estão temerosos de ficar na mão de um grupo multinacional que não tem concorrência. Outro temor é a possibilidade de produção de sementes estéreis, cujos grãos não produzem em outra safra.
As empresas de sementes estão realizando 120 experimentos com plantas transgênicas no Paraná, sendo sete na área de soja e 113 com milho. Os experimentos estão sendo feitos em Ponta Grossa, Palotina, Cascavel, Londrina, Campo Mourão e Maringá.
As empresas Pioneer, Novartis, Hoechst Schering Agrevo do Brasil, Germinal, Monsanto, Cargill, Braskalb, Agrevo, Rhodia Agrevo e Agroceres estão fazendo experimentos com o milho transgênico.


