O agricultor paranaense terá muita dificuldade para comercializar a atual safra de verão, caso forem mantidas as atuais tendências de crescimento da produção e estoques mundiais de grãos além de um mercado interno excessivamente ofertado. A previsão é do presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette. Para alertar o governo, ele expôs um quadro pessimista esta semana, durante reuniões com autoridades dos setores econômicos, em Brasília. Esteve com Guilherme Dias, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e assessores, e Ricardo Conceição, diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil e assessores. No começo de janeiro Meneguette volta a se reunir com os técnicos do governo para montar uma política de sustentação de preços. A Faep tem procurado se antecipar aos problemas e apresentar saídas que evitem o agravamento da situação.
Meneguette teme que a livre comercialização venha a aviltar excessivamente os preços recebidos pelos produtores. O governo não tem mecanismo de sustentação de preços, segundo ele. O presidente da Faep prevê dificuldade principalmente para o milho. E disse esperar que exportações como as da Coamo dêem uma enxugada no mercado. Já que não há recursos orçamentários para a comercialização da safra agrícola, Meneguette quer tentar medidas de emergência para garantir margens de lucro ao produtor e ele possa reinvestir na atividade, o que não vem acontecendo há muito tempo.
A Faep quer evitar em 97 o que ocorreu este ano com o trigo e o algodão. No caso do algodão lembrou que o setor deixou de oferecer pelo menos 130 mil postos de trabalho no campo, sem contar com o desemprego na agroindústria. E frisou que a falta de preço para o produto nacional é responsável pela redução da área de 700 mil hectares três anos atrás para 74 mil hectares este ano. As causas apontadas por Meneguette são aquelas que a Faep vem denunciando há vários anos: entrada de produto importado a juros desprezíveis e prazos de 180 dias a um ano. ‘‘A expulsão do trabalhador do campo foi algo acintoso e lamentável, precisamos evitar que também os pequenos proprietários sejam expulsos, estancando esta reforma agrária às avessas’’, afirmou. O líder rural lembrou dados do Deral que apontavam 14 mil propriedades à venda, em dezembro do ano passado. Nunca se ofertou tanta terra. O número reflete o desestímulo que não mudou muito ao longo do novo ano.
Quebradeira nos setores de trigo e algodão, vendas de pequenas e médias propriedades, perda de valor agregado na agricultura e perda de competitividade foram alguns dos fracassos ocorridos em 1996. Segundo Meneguette, é preciso evitar que isto continue em 97, quando não se terá a repetição da boa comercialização do milho e da soja, motivados por fatores internacionais.

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