Os agricultores têm muita dúvida em relação à próxima safra de verão, a safra 1998/99. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) está cobrando do governo mais informações sobre os mecanismos de comercialização, origem do crédito a ser disponibilizado (exigibilidade bancária) e aporte de recursos das fontes oficiais. A entidade acha que o produtor precisa ter clareza e conhecer o ambiente da nova safra para saber o que plantar.
Para esclarecer estas e outras questões, a Faep, em colaboração com o Sebrae, vai promover debate (teleconferência) com o diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, e o diretor geral do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa. Será no próximo dia 21, das 8h40 às 10h40, no auditório da Faep. A teleconferência será transmitida via satélite, parabólica e pelo Canal Rural. Perguntas poderão ser feitas de qualquer cidade do Paraná. O número do telefone ou fax para perguntas será divulgado na oportunidade.
Oscilação Faltam esclarecimentos sobre o plano de safra, a comercialização antecipada e como o agricultor se protegerá (‘‘hedge’’) dos impactos de eventuais oscilações. O presidente da Faep, Ágide Meneguette, está gestionando junto aos órgãos de governo para que esses planos sejam colocados com clareza e repassados, se possível, com certa didática ao produtor. Em última análise, é o capital e o patrimônio dele que estarão em jogo.
Quanto à origem dos recursos que vão financiar parte da safra, as dúvidas giram em torno das taxas de juros. O governo anuncia juros de 8,85% (5,75% no caso do Pronaf), mas se a fonte for a ‘‘63 caipira’’, captação no mercado externo, as taxas devem variar, prevê o assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque. Nesta altura, é interessante saber qual a participação - no bolo anunciado pelo governo -dos recursos externos e da exigibilidade bancária.
Pedágio A Faep considera positivo que também os Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul estão negociando a isenção dos produtos agrícolas nas praças de pedágio daqueles Estados. Notícia divulgada ontem pelo Agência Estado (repórter Kelly Lima) informa que as cooperativas da região de Ribeirão Preto, lideradas pela Carol (Orlândia), estão se mobilizando para pleitear do governo paulista isenção no pagamento de pedágio para caminhões que transportam produtos agrícolas primários. Um dos argumentos é que a isenção já foi colocada em prática no Estado do Paraná, conforme acordo da Faep e Ocepar com a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).
No Paraná o impasse continua, apesar da adoção, a partir de ontem, do ‘‘cupom’’ (ver matéria nesta página), com a Faep pressionando para que haja inclusão de outros itens e revisão dos cálculos das taxas. Como está, o frete é onerado em 22% já deduzindo uma hipotética economia operacional de 13% decorrente da melhora das pistas. No custo de produção o pedágio impõe um acrescimento entre 2,5 e 5%. Segundo a Faep, na equação feita pelas concessionárias para fixar os preços do pedágio, faltou ponderar sobre as condições da variável agrícola: ‘‘não perguntaram se ela poderia pagar’’, observa o presidente da Faep. Se não houver revisão - caminhões pagando o retorno (vazios), por exemplo -, teremos rodovias de primeiro mundo e agricultura de terceiro mundo.

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