Faep envia carta a FHC contra cobrança do ICMS
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 1999
Da Redação 
A Faep voltou a denunciar ontem as manobras de políticos para suspender a isenção do ICMS. Com a pressão sobre seus caixas, alguns governadores querem fazer dinheiro rápido e estão propondo uma solução burra e injusta, que é a revogação da Lei Kandir e a volta da cobrança de imposto sobre os produtos agrícolas destinados à exportação (ICMS). O presidente da entidade, Ágide Meneguette, reagiu ontem com indignação à proposta dos governadores que, segundo ele, revela ignorância sobre o que a agricultura pode proporcionar ao desenvolvimento do País.
Ninguém exporta impostos; só o Brasil o faz, em prejuízo da sua competitividade e dos produtores, afirmou. A seguir, alguns pontos da carta enviada ontem pelo presidente da Faep ao presidente da República, ministros da área econômica, senadores e deputados:
A Lei Kandir, desonerando do ICMS as exportações de produtos primários e semi-elaborados, foi uma grande conquista da Agropecuária brasileira, porque estabeleceu isonomia em relação aos produtos de exportação industrializados, isentos de qualquer tributação.
O restabelecimento de qualquer imposto ou taxa sobre as exportações de produtos primários e semi-elaborados, para resolver problemas de endividamento de Estados às custas da renda de uma categoria econômica sofrida como os agricultores, significa meter a mão no bolso de quem produz para perpetuar a incompeteência adminsitrativa.
Os produtores rurais do Paraná repudiam qualquer manobra no sentido de impor novos ônus às exportações de seus produtos. Não é justo que esse setor, que arcou com prejuízos decorrentes da defasagem cambial, venha novamente a ser chamado para pagar a conta de erros administrativos ou de política econômica.
Antes de enviar esta carta ao presidente FHC e seus ministros, a Faep havia apresentado estudos mostrando a inconveniência da cobrança do ICMS. Primeiro a entidade arguentou tecnicamente. Como o governo manteve sua disposição de voltar a cobrar o imposto, a entidade resolveu protestar de forma veemente.
Onrtem, no Paraná, as lideranças agrícolas disseram que não são apenas as prefeituras e estados falidos que estão interessados em voltar a onerar a exportação de soja. A indústria também tem gestionado politicamente e feito pressão através de sua entidade, a Abiove - Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais.


