Faep denuncia escalada da indústria de invasões no PR
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segunda-feira, 01 de setembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
O agravamento do confronto na área rural e o recrudescimento das invasões de terra no Paraná tornaram os últimos dois anos como o período mais radical e tenso da reforma agrária no país, segundo a avaliação do presidente da Faep Ágide Meneguette. Para se ter uma idéia, de 1986 para cá, 56% das invasões ocorreram entre 1995 e 1997. Meneguette estranha a indiferença do Estado que tem a obrigação legal e constitucional de agir, mas prefere assistir as invasões de forma contemplativa. Ele considera que o objetivo das invasões é político e não leva em consideração a necessidade de fazer reforma agrária compatível com a legislação vigente.
A Faep divulgou ontem um levantamento sobre as invasões de propriedades rurais do Paraná. Normalmente esse relatório é divulgado no mês de outubro e esse ano foi antecipado em função do agravamento da situação. Segundo o levantamento, atualmente 90 propriedades paranaenses estão dominadas por 9 mil famílias, em aproximadamente 90 mil hectares de terras rurais.
Meneguette se queixa que das 90 invasões ocorridas boa parte obteve reintegração de posse através de liminares e são poucos os casos em que houve a efetiva reintegração de posse. Para o líder da Faep, é uma afronta ao poder constituído o fato de os sem-terra anunciar previamente as invasões e nada acontece.E o pior é que as lideranças são conhecidas e o Estado fica indiferente, lamentou.
Ágide Meneguette chama a atenção para o drama dos proprietários, argumentando que essa situação pode comprometer o desempenho da safra em algumas regiões do estado. Ele entende que está sendo colocado em cheque não somente a propriedade rural e o direito à propriedade, mas sim a ordem pública, o estado de direito e a paz social.
Segundo o relatório que está sendo distribuído pela Faep, no período 1991/97 foram invadidas 132 propriedades rurais, sendo que 93 invasões ocorreram entre agosto de 95 e julho desse ano. Meneguette admite que esse número já foi alterado em função das invasões recentes ocorridas no Noroeste do Estado.


