Faep defende adiamento das dívidas agrícolas
Da Redação
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, enviou ontem ao governo federal documento solicitando prorrogação do pagamento da nova parcela das dívidas rurais que vencem em outubro. Segundo explicou, os produtores estão em dificuldade para saldar seus débitos em consequência da generalizada queda dos preços dos produtos agropecuários em todo mundo e do aumento no custo de produção da próxima safra.
Para ele, a mudança cambial ocorrida no início do ano teve como primeiro resultado evitar um grande desastre em toda a agricultura, em face de um processo de depreciação generalizada de preços em escala mundial. Contudo, assinala o presidente da Faep, os efeitos não foram uniformes porque os produtos destinados unicamente ao mercado doméstico não sofreram nenhum aumento de preço. Alguns até apresentaram queda, disse.
O presidente da Faep lembra que mesmo os produtos destinados ao mercado externo não tiveram seus valores em reais reajustados na mesma proporção da variação do dólar, já que seus preços estão em baixa, sendo os menores em um a série de mais de vinte anos, como ocorre com a soja, que hoje está com o menor preço de sua história, US$ 9,19 no mercado internacional. Uma saca de soja valia r$ 14,00 em 1998, preço esse que se repetiu esta safra, mesmo levando em conta a correção cambial de 40%. Portanto, destaca Meneguette, o produtor hoje não pode usufruir da nova condição cambial. O s seus custos de produção, por seu turno, sofreram um acréscimo superior a 20%.
O mesmo raciocínio vale para outros produtos, o que significa que o produtor, com um custo maior, vai receber, na melhor das hipóteses, o mesmo preço da safra passada ou até menos.





