''Não se trata apenas de uma crise passageira, mas de um problema de longo prazo que afeta toda a sociedade brasileira, principalmente a do interior, pelo inevitável aumento no desemprego no campo e nas cidades a curto prazo''. A afirmação é do presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, acerca do protesto que reunirá milhares de produtores rurais nesta terça-feira, por volta de 11 horas, no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina. As caravanas com maquinário agrícola sairão da praça do pedágio Rolândia/Arapongas, por volta das 10 horas, dirigindo-se em seguida ao parque de exposições de Londrina, onde ocorrerá a concentração.
A mobilização servirá para alertar o governo federal sobre a situação em que se encontra a agropecuária estadual, em razão da quebra de safra, dos baixos preços e da falta de recursos para financiamento. Segundo o dirigente rural, os agricultores querem sensibilizar as autoridades federais a liberar recursos para o refinanciamento das dívidas junto aos fornecedores de insumos. Elas foram feitas por causa da escassez do crédito oficial.
''Se não houver o socorro financeiro, os produtores, que já contabilizam prejuízos históricos, ficarão inadimplentes e não terão condições de plantar a próxima safra'', adverte. Os fornecedores de insumos, por sua vez, não poderão financiar a sua parte, que complementa o escasso crédito rural.
Segundo a Faep, as principais causas da profunda crise na agricultura são o aumento superior a 25% nos custos de produção das lavouras brasileiras implantadas na safra 2004/2005, provocado pelo acréscimo nos preços das matérias-primas nacionais e importadas; a forte retração dos preços no mercado internacional da soja, milho, trigo e algodão alcançando 35%, 29%, 25% e 31%, respectivamente; a valorização do real frente ao dólar em cerca de 25% quando comparado com maio de 2004 (R$ 3,10 em maio/04 e R$ 2,46 maio/05); e as condições climáticas adversas em várias regiões do País, com perdas da ordem de R$ 10 bilhões devido à falta de chuvas.
Propostas As principais propostas do setor agrícola para os governos são crédito emergencial na modalidade de capital de giro para produtores e cooperativas com recursos de crédito e poupança rural, com encargos de 8,75% ao ano., com prazo de pagamento de 3 anos e carência de 1 ano; renegociação das dívidas dos produtores e cooperativas (Pesa, Recoop e Securitização); agilização na aprovação das operações de pré-custeio da safra 2005/06; ação junto ao Banco do Brasil e agentes financeiros privados na operacionalização das medidas aprovadas para prorrogação dos débitos de custeio e investimento devido a dificuldade que as cooperativas e produtores estão enfrentando.
Além disso, o setor pede o restabelecimento da política de garantia de preço mínimo, pelo mecanismo de AGF/EGF para fortalecer a comercialização da safra, permissão da prorrogação automática dos financiamentos de repasse feitos pelas cooperativas agropecuárias aos seus associados conforme previsto no MCR 6.2 e MCR 6.4, bem como a prorrogação dos financiamentos obtidos pelas cooperativas junto aos fornecedores de insumos, em regiões afetadas pela estiagem. Os produtores rurais também querem que o governo desconsidere os débitos prorrogados para efeito do cômputo dos limites de crédito para as cooperativas e produtores rurais junto aos agentes financeiros.

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