A notícia da criação da Agência Brasileira de Agronegócio pelo Ministério da Agricultura (com o objetivo de desenvolver ações para elevar as exportações do setor agropecuário) foi bem recebida pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), mas a entidade criticou a postura do governo do Estado voltada à produção. O presidente da Faep, Ágide Meneghette, considerou a criação da agência uma idéia muito boa, mas lamentou estar incompleta. ‘‘Para aumentar a comerciliazação e as exportações de produtos agropecuários e derivados é necessário primeiro criar uma política agrícola que incentive a produção’’, disse.
Meneghette defendeu a redução do Custo Brasil, a recuperação da infra-estrutura de transporte e a ampliação dos financiamentos destinados aos produtores. Ele disse que o governo federal tem que suspender a ‘‘idéia absurda’’ de taxar produtos agrícolas em função de uma maior lucratividade proveniente da atual política cambial. ‘‘O setor ainda sofre com a descapitalização iniciada com a implantação do Plano Real.’’
O presidente da Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Estado do Paraná (Avipar), Paulo Ferreira Muniz, acha as proposta a serem desenvolvidas pela agência eficientes, mas também sugere ações na cadeia produtiva anterior a do frango. Uma delas é a divulgação de pesquisas aos produtores de insumos, como o milho, para aumentar a produtividade por hectare. ‘‘Essa é a melhor maneira para reduzir os custos de produção do frango e conquistar mercado’’, disse. Segundo Muniz, enquanto estudos da Embrapa mostram que é possível produzir 12 toneladas de milho por hectare, a produção média no País é de 3 toneladas.
Projeto A criação da Agência Brasileira de Agronegócio foi aprovada na quarta-feira, em reunião do Conselho de Agronegócio. O Ministério da Agricultura tem prazo de 60 dias para formalizar os atos legais para a implantação da agência. Os principais objetivos são articular a integração da cadeia produtiva e criar condições para que o Brasil melhore suas estratégias de comercialição interna e externa.
Algumas das metas são manter a expectativa de exportações de US$ 200 bilhões em 2002 - traçada no Programa Especial de Exportações (PEE) - e ampliar dos atuais US$ 18,8 bilhões para US$ 45 bilhões as exportações do setor agropecuário num prazo de quatro anos. A estimativa, caso esse número seja atingido, é de que serão criados 10 milhões de postos de trabalho no setor.
Segundo informações do Ministério da Agricultura, as ações para cumprir esses objetivos incluem o desenvolvimento de bolsas de futuros para desonerar os investidores estrangeiros e a capacitação de negociadores multidisciplinares e especializados. Outras possibilidades em estudo são a criação da marca Brasil para todos os produtos, a instituição de adidos de agronegócios em todas as embaixadas do País e a busca de redução de barreiras internacionais e junto à Organização Mundial de Saúde (OMS).

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