O Paraná não registra um só foco de aftosa há dez anos e cinco meses. Por causa disso, criadores e governo parece que relaxaram um pouco na guerra contra a doença. Este reconhecimento parte do presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, diante da descoberta de novos focos no Mato Grosso do Sul, em municípios próximos à divisa com Paraná.
Apreensivo, o dirigente rural indaga: ''Será que estamos nos esforçando realmente para assegurar que a sanidade animal e vegetal seja uma conquista permanente? Com o passar do tempo, vendo o perigo parecer estar longe de nosso território, será que não relaxamos a nossa atenção?''
Argumentando se tratar de questão que envolve tanto governos federal, estadual e municipal quanto produtores e sociedade, Meneguette reconhece: ''Baixamos a guarda. Já não damos tanta atenção à sanidade como durante a guerra contra a aftosa. Governo e produtores precisam retomar seus deveres e, em conjunto, voltar novamente a atuar de forma permanente para manter o status sanitário no Paraná.''
Ele lembra ser o Estado livre de aftosa (com duas vacinações anuais) pela intensa mobilização de iniciativa privada e governo. A privilegiada condição de sanidade animal permitiu ao Paraná passar de exportação de carnes bovina e suína de US$ 40 milhões em 99 para quase US$ 215 milhões ano passado. Somadas às vendas externas de aves, em 2004 o comércio internacional de carnes paranaenses alcançou aproximadamente US$ 1 bilhão.
''O governo federal corta verba orçamentária de uma dotação já ridícula. Mostra que não está interessado em sanidade. Se estivesse - e deveria estar pelo volume de exportações do agronegócio - ao invés de cortar, aumentaria as verbas'', diz.

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