Superprodução de grãos no Brasil e em escala mundial, real muito valorizado frente ao dólar, reduzindo drasticamente a competitividade dos produtos agrícolas, especialmente grãos. Esta combinação explosiva pode fazer com que os agricultores paranaenses e brasileiros, em geral contabilizem elevados prejuízos na atividade em 2005, segundo previsão do presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette. Um consenso: os preços das commodities agrícolas deverão ser tão baixos que, em muitos casos, não cobrirão os custos de produção.
Para complicar o quadro, a safra que será colhida neste ano apresenta aumento de até 100% nos custos de alguns insumos. Lideranças rurais tentarão sensibilizar o governo Lula para a dramática situação.
De acordo com Meneguette, os agricultores são pressionados de ambos os lados: pelas elevações drásticas nos preços dos insumos e pela compressão de preços recebidos. Estas condições, segundo ele, favorecem pressões baixistas que deverão caracterizar a comercialização deste ano.
A crise de liquidez esperada agrava-se por conta da política cambial. Segundo Meneguette, o plantio da safra de verão que será colhida neste primeiro semestre foi feito com o dólar valendo R$ 3,20. E a safra será vendida com a moeda moeda norte-americana cotada não acima de R$ 2,70, em média.
Para o presidente da Faep, o segmento de grãos especialmente soja e milho é o que mais sofre diante deste cenário econômico. A pecuária de corte, segundo ele, enfrenta o mesmo problema. A solução, para Meneguette, seria a melhoria nos programas de exportação.
Meneguette diz não existir uma política governamental adequada ao setor, uma vez que as produções são vendidas abaixo do preço necessário para a sobrevivência do produtor. Ele deixa deixa claro que, quem não alcançar boa produtividade em 2005, corre o risco de não conseguir cobrir os custos diretos de produção. ''Portanto, não é o momento para investimentos em máquinas, implementos ou itens que não estejam diretamente ligados ao aumento imediato da produtividade. Um endividamente agora pode significar a ameaça do patrimônio familiar'', adverte.
Segundo ele, os países do Primeiro Mundo despejam US$ 1 bilhão por dia em subsídios diretos aos seus agricultores. ''Sabemos ser inviável que os agricultores brasileiros recebam o mesmo tratamento. Mas, ninguém é obrigado a trabalhar com prejuízo'', alerta.
Desta forma, segundo o dirigente rural, não é verdadeira a imagem projetada pela mídia de que os agricultores estão ''nadando em dinheiro'' por causa de grandes safras de grãos. ''Quando os preços agrícolas sobem, a parte do leão fica sempre com fornecedores, indústras e agentes financeiros'', aponta.

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