Os 10 anos sem ocorrência de um só foco de febre aftosa no rebanho bovino paranaense de 10,3 milhões de cabeças foram lembrados ontem pelo presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette. Ele também alertou que o perigo ainda não passou já que o vírus da doença ronda o Estado, com os casos no Paraguai e na Bolívia, onde as condições de sanidade animal são frágeis.
Meneguette advertiu: é indispensável manter esta favorável situação não apenas nos rebanhos de bovinos e suínos, mas também em relação às aves, aos ovinos, caprinos e à produção vegetal, especialmente da soja ameaçada pela ''ferrugem''. O dirigente rural quer que os criadores ''não baixem a guarda''. Embora seja responsabilidade do Governo a obrigação legal de zelar pela sanidade animal e vegetal, na prática, este compromisso deve ser, acima de tudo, dos criadores.
Este mesmo grau de conscientização, segundo o presidente da Faep, não é exercido pelo Governo Federal, que deveria ser o maior interessado na questão. Mesmo com o agronegócio representando exportações de US$ 39 bilhões (com resultado líquido de R$ 33 bilhões), Brasília reduziu de já insuficientes R$ 137 milhões para R$ 37 milhões os recursos para defesa sanitária agropecuária de todo o País.
''O Governo Federal não entende que, para exportar os US$ 39 bilhões do agronegócio, é preciso sanidade em todos os campos. Mas, com este corte irresponsável, fica comprometida a fatia mais substancial do comércio exterior brasileiro, justamente aquela que consegue resultados positivos líquidos para o País'', acusou.
Meneguette diz que ''é preciso ter a consciência de que este é um assunto importante demais para deixar apenas nas mãos de governos. Sem a participação efetiva do setor privado, dificilmente haverá sucesso em manter o status sanitário. Enfim, a sanidade interessa a cada um dos produtores rurais como única alternativa para manutenção do negócio de forma satisfatória''.

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