Faep agora defende redução dos juros
Guto Rocha
A liberação do câmbio irá beneficiar a agricultura, mas enquanto não houver redução dos juros o setor continuará a ser penalizado. A afirmação foi feita ontem pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Ágide Meneguette. Torcemos para que a elevação das taxas de juros sejam momentâneas, adotada apenas para ajustar as mudanças na política cambial, afirmou.
Meneguette disse que a alta das taxas neste momento pode aviltar os preços dos produtos agrícolas que começam a ser colhidos nos próximos dias. Ele acredita que com juros altos, as indústrias que consomem produtos agrícolas no mercado interno deixarão de comprar grandes volumes, evitando carregar estoques. Com as indústrias comprando da mão-para-boca, os preços tendem a cair, comentou.
Orçamento O dirigente lembrou que no Orçamento da União não está previsto a destinação de recursos para realização de Empréstimos do Governo Federal (EGF) e Aquisição do Governo Federal (AGF). Com isso, observou Meneguette, os produtores precisarão mais do que nunca do mercado livre, com taxas de juros compatíveis com o mercado externo.
Estas taxas, segundo o presidente da Faep, deveriam ficar em torno de 4% e 6%, índices adotados no mercado externo. Também seria necessário criar mecanismos para neutralizar as vantagens dos produtos importados em relação aos produtos do mercado interno, observou.
Quanto à mudanças na política cambial, Meneguette afirmou que a Faep desde o início do Plano Real criticou a sobrevaloriazação do real frente ao dólar, o que tirou a competitividade do setor, tornando as importações de produtos agrícolas mais atraentes. Os importadores compravam a preços menores, com prazos entre 360 e 400 dias e juros de 5% e 6% ao ano, lembrou. Isso praticamente acabou com a cotonicultura do Paraná, observou.
Com a liberação do câmbio, Meneguette acredita que possa haver mudança no quadro, principalmente as culturas que o País depende de importações, como trigo e algodão. O frango também poderá se beneficiar, recuperando mercados importadores que o Brasil havia perdido com o real sobrevalorizado, afirmou.
O presidente da Faep observou no entanto, que sem a aprovação das reformas, o País pode ter sua crise agravada. Outra crítica do dirigente ao governo, é quanto a necessidade de redução dos gastos da máquina. Não se pode gastar mais do que se ganha, comentou.





