Faciap vai propor à RF anistia para empresários
Faciap vai propor à RF
anistia para empresários
Farage Kouri, presidente da Federação, levará pedido de isonomia com agricultores
Carmem Murara
Arquivo Folha
Pedido de perdãoKouri: 90% dos empresários estão devendo algum tipo de impostoA Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap) irá propor ao secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, um programa de anistia fiscal para empresários que estejam com excesso de dívidas. O pedido será feito na próxima quarta-feira, quando os representantes das federações ligadas aos setores produtivos do País estiverem reunidos em Brasília, no encontro da Confederação das Associações Comerciais. Defendemos a anistia para resolver o problema fiscal que atinge a grande maioria dos empresários, afirmou o presidente da Faciap, Farage Kouri.
A avaliação de Kouri é que 90% dos empresários estão com algum tipo de débito no recolhimento de impostos, sejam eles federais, estaduais ou municipais. Há ainda os que têm dívidas bancárias ou empréstimos impagáveis com instituições financeiras. Os empresários defendem o perdão da dívida como solução para que retornem ao mercado e voltem a produzir como em anos anteriores ao Plano Real. A anistia proposta seria nos moldes do mesmo programa que beneficiou agricultores em todo o País.
Endividados por causa de financiamentos bancários, muitos empresários estão fechando as portas. O que mais afetou seu desempenho econômico foram os juros altos, avalia o presidente da Faciap. A taxa de juros neste ano deve fechar em torno de 23%, índice considerado muito alto em comparação com o padrão internacional. Com juros altos e um déficit comercial crescente, o País vai amargar um crescimento do Produto Interno Bruto que não passará de 2%, prevêem os principais analistas econômicos. No início da semana, o economista e professor da Universidade de São Paulo Eduardo Gianetti ressaltou que o País só retomará o crescimento dentro de dois ou três anos, quando conseguir reduzir o déficit público.
InadimplênciaA reunião da Confederação das Associações Comerciais e Industriais vai servir ainda para oficializar a posição contrária à inclusão dos mutuários inadimplentes da Caixa Econômica Federal, na lista negra do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). As associações não concordam com a posição tomada pela Câmara Nacional dos Dirigentes Lojistas, que, no início da semana, firmou acordo com a Caixa. Incluir os mutuários no SCPC é uma sacanagem. É o fim do mundo, avaliou Farage Kouri.
Em sua avaliação, um mutuário não é um caloteiro no comércio. O fato de ele não poder pagar uma prestação da casa própria não quer dizer que ele não vá conseguir pagar uma prestação baixa de um produto comprado, comparou.





