Faciap quer retomada do crescimento
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Cláudia Lopes 
A Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap) pretende encabeçar um movimento nacional, junto com a Confederação das Associações Comerciais, Industriais e Agrícolas do Brasil, visando a retomada do desenvolvimento do setor. Amanhã, a Faciap se reúne, em Curitiba, com presidentes de associações comerciais do Estado e representantes de dez coordenadorias regionais da Faciap para discutir quais linhas de trabalho serão adotadas para conseguir a união de todas as federações do País em torno da questão. Queremos um movimento forte para pressionar o governo, diz Farage Kouri, presidente da Faciap.
A entidade já fez reunião semelhante na semana passada em Curitiba. Ontem à tarde, Kouri participou de um encontro na Associação Comercial e Industrial de Maringá (ACIM). Uma das propostas da Faciap é a criação de uma linha de crédito para capital de giro, via BNDES, a juros compatíveis. Nas reuniões com o ministro Malan, em Brasília, sempre falamos desta necessidade. Mas até agora não aconteceu nada.
Segundo Kouri, o desaquecimento da economia em pleno mês de dezembro, com o varejo cancelando pedidos junto às indústrias revela a grave situação enfrentada pelos empresários. Não podemos mais esperar. Queremos a criação de uma linha de capital de giro puro. As linhas atuais atrelam o giro ao capital de investimento mas os empresários que estão quebrando não precisam deste tipo de crédito. Kouri diz que só há duas alternativas. Ou o governo cercea as importações ou dá as mesmas condições lá de fora para os empresários brasileiros. Queremos juros a nível internacional e condições para que o custo-Brasil seja semelhante aos internacionais.
O empresariado já deu sua cota de contribuição, com muito sacrifício, adequando-se às mudanças da economia. Agora precisamos ser ouvidos e contar com instrumentos capazes de nos dar condições de produzir e que as empresas afastem o fantasma da insolvência diante dos extorsivos juros cobrados pelos bancos, defende Kouri.
Segundo o vice-presidente da Faciap, Hélio Edys Costa Curta, o orçamento do BNDES para o próximo ano será de R$ 16,9 bilhões, um recorde desde a criação do banco. Os recursos são destinados para investimentos em criação, ampliação, modernização ou relocalização de empresas, sendo que os recursos para capital de giro existem somente associados ao investimento fixo e em percentual inferior a 20%, diz. Destes mais de R$ 16 bilhões, não há um único centavo em um programa de giro puro para salvar uma empresa.


