Faciap não quer mutuário do Paraná na lista do SPC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de março de 1998
Carmem Murara 
Arquivo FolhaQuestão de critérioFarage Kouri, da Faciap: Não achamos justo colocar todos na mesma vala comumA Federação das Associações Comerciais e Industriais do Paraná (Faciap) começou a enviar ontem uma correspondência para as 240 associações comerciais do Estado, orientando-as a não colocar os inadimplentes da Caixa Econômica Federal na lista dos devedores. O pedido para inclusão dos inadimplentes no cadastro do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) foi feito na semana passada pelo presidente da Caixa, Sérgio Cutolo. A diretoria da Faciap considerou a proposta absurda.
O presidente da Faciap, Farage Kouri, disse não é possível colocar um cliente com dívidas a longo prazo na mesma situação dos que têm contas a vencer num curto período de tempo. Ninguém deixa de pagar as prestações da casa própria porque quer. A inadimplência acontece devido a uma situação alheia à vontade do mutuário, afirmou. A falta de pagamento, normalmente, se dá devido a aumentos exagerados das prestações ou então quando o mutuário fica desempregado ou perde remuneração salarial.
Farage Kouri disse que a lista do SPC é para os pequenos devedores que não conseguem pagar de maneira correta as prestações do crediário. O SPC é um serviço que dá garantia ao lojista de que o consumidor não dará um calote no comércio. Quem está fichado no SPC não consegue comprar a prazo.
Hoje, a inadimplência atinge até 26% de todas as vendas feitas no crediário. Os números têm apresentado um crescimento constante de ano para ano. De janeiro de 1997 para 98 aumento dos casos foi de 52%. A comparação de fevereiro mostra uma variação positiva de 38%.
Se as Associações Comerciais e a Faciap aceitassem incluir os mutuários da Caixa no cadastro dos devedores, os lojistas poderiam perder maior número de potenciais consumidores. Farage Kouri garante que a oposição à proposta da Caixa não se deve à provável perda de clientela. Não estamos pensando que ficaremos com menos consumidores disponíveis para a compra no crediário, somente não achamos justo colocar todos na mesma vala comum, afirmou.


