Gilberto Dupas, professor do Gacint/USP, destaca que, pela primeira vez, há provas de que os países ricos lançam mão de massivos subsídios à agricultura e à indústria, práticas contrárias ao livre comércio e prejudiciais às exportações dos países em desenvolvimento, que precisam acabar. Os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por exemplo, comprovadamente gastam US$ 1 bilhão por dia com subsídios.
''Existe um impasse na OMC. Os países ricos pregam o livre comércio, mas não o praticam, no mais típico gênero ''faça o que eu digo mas não faça o que eu faço''. Desta vez, toda a comunidade internacional se preparou muito bem para questionar as posições desses países'', diz. Para Dupas, na reunião ministerial de Doha estará em jogo a própria credibilidade da OMC, acusada de favorecer apenas as nações mais ricas.
O embaixador Rubens Ricúpero, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que representará o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, na abertura da reunião de Doha, acredita que a globalização deve ao países em desenvolvimento a liberalização da agricultura, um passo que beneficiaria boa parte dos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil.
Desde o dia seguinte aos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos vêm reforçando seu apoio ao livre comércio. De lá para cá, ao mesmo tempo, o mundo parece estar questionando o próprio neoliberalismo, a coluna de sustentação da globalização econômica. O mau desempenho de vários setores foi fortemente aprofundado pelos ataques, obrigando governos, sobretudo o norte-americano, a adotar políticas de salvamento, reduzindo juros e ajudando as empresas com recursos financeiros o governo dos EUA, por exemplo, elaborou um projeto de US$ 15 bilhões para o setor aeroviário e outro de US$ 100 bilhões, incluindo corte de impostos, para reativar a economia. ''Essa situação mostra que o mercado só funciona bem em condições normais, nunca em crises '', afirma Ricúpero.

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