São Paulo - Há muitas ações que valem dinheiro paradas por aí, perdidas na mão de investidores. Um dos casos mais comuns é o de quem comprou uma linha telefônica pelo plano de expansão antes da privatização do sistema Telebrás, em meados de 1997, e recebeu ações das companhias do setor. ''São pessoas que receberam ou compraram diretamente da empresa emissora e estão com as ações guardadas no departamento de acionistas da própria empresa'', comenta Ricardo Binelli, diretor de Operações da Petra - Personal Trader Corretora de Valores.
''Esses investidores estão perdendo uma parcela do dinheiro a que teriam direito como acionistas'', diz Binelli. ''Por não terem as ações depositadas na bolsa e por falta de cadastro atualizado, eles perdem as oportunidades que têm como investidores.''
O primeiro passo é fazer um cadastro e depositar as ações na bolsa. É com dados atualizados que as empresas entram em contato com os portadores de suas ações para a distribuição de dividendos. ''Se os dividendos não forem reclamados em até três anos, o valor será incorporado aos lucros da empresa e redistribuído entre os acionistas ativos'', explica.
O depósito das ações na bolsa é condição necessária para a venda dos papéis. Para o investidor que quiser acertar o passo com as ações, a Petra Personal Trader Corretora de Valores oferece um serviço que possibilita retomar o fio da meada. Pelo telefone 0800-883-1313 ou pelo e-mail [email protected], o investidor fornece o número do CPF ou, se tiver, um extrato ou certificado de compra de ações. ''São informações que permitem que a Petra faça uma varredura em bancos de dados para ver se existem ações no nome do investidor em algumas empresas.''
A corretora não cobra nada pelo rastreamento nem para a elaboração dos documentos com os quais será feita a transferência das ações para registro na bolsa. O investidor terá um custo apenas na venda dessas ações, quando será cobrada uma taxa de corretagem sobre o valor do negócio. Fora isso, terá de bancar apenas as despesas cartoriais da documentação para o registro. Pelas contas de Binelli, de dez acionistas involuntários que procuram a Petra, quatro conseguem chegar às ações no banco de dados das empresas e, destes, dois formalizam o depósito e registro delas na bolsa.
O comerciante Toshio Yamashita retomou o gosto pelo investimento em ações depois que regularizou várias ações encontradas pela varredura da Petra. Além de ações da Telesp (Plano de Expansão), foram localizadas ações de Bradesco, Unibanco, Cesp, Banespa, Cemig, entre outras, compradas em pequenos lotes nas décadas de 80 e 90 e todas abandonadas. ''Foram ações que comprei quando a bolsa estava numa fase boa e depois deixei encostadas, quando o mercado ficou ruim'', conta Yamashita. ''Tinha ações de oito a dez empresas diferentes.'' O levantamento foi feito há cerca de cinco anos. Algumas ações da época foram negociadas, mas ele ampliou a carteira com a compra de outras, como as da Klabin, Gol, Natura.

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