Sem movimentoO Fábrika Shopping, fechado depois de funcionar por um ano e quatro meses: vendas boas no começoO fraco movimento nas vendas provocou o fechamento do Fábrika Shopping ontem em Londrina. O shopping ocupou durante um ano e quatro meses o prédio que abrigava uma das lojas Hermes Macedo na Cidade, na esquina das ruas Quintino Bocaiúva e Sergipe. Os 18 comerciantes que mantinham lojas no Fábrika Shopping foram comunicados da decisão da empresa no sábado pela manhã. Ontem, alguns deles manifestaram seu descontentamento por terem sido avisados ‘‘em cima da hora’’. A maioria das lojas era de confecção.
A lojista Sueli Wasciek, que foi para o Fábrika Shopping em dezembro, afirma que fez compras recentemente e, portanto, assumiu compromissos de pagamento com fornecedores. ‘‘Se soubesse do fechamento antes, não teria feito a compra’’, diz. Segundo ela, aos lojistas resta procurar outro lugar. ‘‘Mas isso leva um certo tempo’’. Sueli afirma ainda que o gerente do shopping a acusou de ter emitido cheques sem fundos. ‘‘Isso não é verdade’’.
O gerente João Bosco: empresa estava tendo prejuízos há oito meses
O gerente do Fábrika Shopping em Londrina, João Bosco de Souza, diz que todos os lojistas com contrato em vigência serão ressarcidos. ‘‘Alguns já estavam com o contrato vencido’’. João Bosco informa que cada lojista também receberá R$ 40,00 que haviam sido pagos para formação de um fundo promocional.
O gerente explica que há quase oito meses o shopping vem dando prejuízo. O Fábrika Shopping Promoções e Eventos é de Curitiba, onde mantém mais de 50 shoppings. A empresa tem shoppings também em outros Estados. João Bosco conta que a despesa mensal do Fábrika em Londrina, com aluguel, funcionários, impostos, luz, telefone, é de R$ 16 mil, para uma receita de R$ 4 mil. No início do empreendimento, as 64 lojas estavam ocupadas. ‘‘Com o passar do tempo, os lojistas foram abandonando o shopping e, há oito meses, o movimento de vendas entrou em decadência’’. Ele acrescenta que os lojistas também estavam em dificuldades e que vinham atrasando o pagamento do aluguel.
Para o pagamento das despesas, a empresa estava deslocando recursos das lojas de Curitiba. ‘‘Mas como não houve qualquer reação, a decisão da empresa foi pelo fechamento’’, afirma. Segundo o gerente, ele foi informado da decisão na sexta à noite. ‘‘No sábado de manhã, me reuni com os lojistas e passei a informação. Agora vou encaminhar a documentação para o departamento jurídico em Curitiba para que seja feito o ressarcimento’’. O aluguel pago pelos lojistas variava de R$ 300,00 a R$ 640,00.
O Fábrika Shopping também terá que pagar multa por rescindir o contrato de aluguel do prédio antes do tempo. João Bosco calcula que a multa gire em torno de R$ 40 mil. O prédio, de mil metros quadrados, pertence à empresa Goldenbras, de São Paulo.
César AugustoA lojista Sueli Wasciek: ‘‘Agora só me resta procurar outro lugar’’
João Bosco diz que a empresa já investiu R$ 170 mil em Londrina, sem obter retorno. ‘‘Nós lamentamos muito ter que fechar’’. Na sua avaliação, o motivo da queda nas vendas pode ser a localização do prédio. ‘‘A princípio, pensamos que fosse problema administrativo. Eu passei a gerenciar o shopping em abril de 97. Mas as vendas continuaram caindo. Talvez o ponto não seja tão central para o nosso consumidor, que é de baixa renda’’. Segundo João Bosco, a empresa não conseguiu encontrar um ponto disponível no Calçadão. Em 97, a empresa investiu R$ 80 mil em publicidade, de acordo com João Bosco. ‘‘Mesmo assim não obtivemos resposta.’’
A lojista Neuci Gregório, que estava com uma loja desde a abertura do Fábrika Shopping, acredita que tenha faltado divulgação. ‘‘No começo era muito bom. Cheguei a vender de R$ 500,00 a R$ 600,00 por dia. Aí os lojistas foram saindo. Ninguém fez nada para segurá-los.’’

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