Uma fábrica de sonhos. Essa é a melhor definição para o processo produtivo das fantasias, acessórios, adereços e cenários de uma escola de samba. Sem cronograma e planejamento definidos, como ocorre nas fábricas convencionais, as linhas de montagem da economia do Carnaval funcionam temporariamente em barracões.
Centenas de pessoas trabalham dia e noite. Em média, as fábricas de sonhos funcionam quatro meses e, logo depois do Carnaval, desaparecem para ressurgir no próximo ano. Esse processo peculiar de produção ocorre em praticamente todo o País.
O tema 'Economia do Carnaval' está sendo vivenciado por consultores do Sebrae no Rio de Janeiro. ''Trata-se de um universo completamente diferente'', resume Eliana Marinho, gerente de Desenvolvimento da Economia Criativa do Sebrae no Estado, responsável pelo estudo. ''É uma imersão que o Sebrae faz para entender esse processo de produção'',, explica. As escolas de samba Cubango (de Niterói) e Unidos da Rocinha (Rio de Janeiro), integrantes do grupo de acesso do Carnaval carioca, foram escolhidas para a imersão do Sebrae.
Os sonhos desfilados na avenida começam nos desenhos feitos pelos carnavalescos. Eles transferem o samba-enredo da imaginação para o papel. Depois, os signos são decodificados pela comissão responsável pela confecção das fantasias, acessórios, adereços e cenários. ''É uma linha de montagem atípica e casuística'', resume Eliana Marinho.
O ritmo dos barracões é frenético durante quatro meses. Não há planejamento preciso em relação à entrega de materiais. As etapas da produção são executadas por grupos diferentes de trabalhadores e colaboradores. Em algumas escolas de samba, patrocinadores institucionais bancam diárias, em torno de R$ 10, mais a alimentação de cada operário.
Todos colocam a mão na massa. ''Ninguém faz uma peça do princípio ao fim. O grande diferencial dos barracões das escolas de samba é o envolvimento emocional, da paixão com a produção. O ritmo é muito veloz. O tempo dita as normas'', observa a gerente.
O Sebrae deverá oferecer consultorias e capacitações voltadas para essa cadeia produtiva. ''Estamos aprendendo com eles'', diz Eliana.
Apesar de inicial, o estudo sobre a economia do Carnaval destaca algumas características do processo de produção das alegorias. O desperdício é muito grande, acima de 50% dos materiais. As pessoas envolvidas só têm ocupação durante o período que antecede o Carnaval. Depois do desfile na avenida, retornam ao desemprego ou desocupação.
''Almejamos promover postos de trabalho mais permanentes nas comunidades'', afirma Eliana. Tanto o processo produtivo quanto os produtos têm qualidade, segundo ela.
O reaproveitamento dos materiais e fantasias também está na mira do estudo. A redução do desperdício será objetivo das ações que serão oferecidas às escolas de samba, depois de concluído o estudo. Novos produtos, com materiais reciclados, poderiam gerar renda e postos de trabalho nas comunidades.

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