PARIS - Todas as fábricas do grupo Renault na Europa deverão paralisar suas atividades hoje à tarde, durante uma hora, deflagrando uma greve de solidariedade aos 6 mil assalariados do grupo, franceses e belgas, cuja demissão foi anunciada pela direção da empresa. Essa é a primeira vez que o movimento sindical convoca uma greve em toda a Europa, envolvendo milhares de trabalhadores da Bélgica, França, Espanha e Portugal, onde está concentrada a maior parte da produção da Renault na Europa.
Esse acontecimento está contribuindo para a criação de uma nova página na história do sindicalismo europeu, contribuindo inesperadamente para um importante passo da chamada Europa Sindical. Ainda ontem, 900 trabalhadores da fábrica belga de Vilvorde passaram a fronteira da França, obtendo a solidariedade dos trabalhadores franceses da fábrica Renault da cidade de Douai, onde trabalham outras 6 mil pessoas.
Ao mesmo tempo, a empresa está deixando de ser conhecida como uma ‘‘vitrine social’’ como em outros tempos, segundo sindicalistas e políticos franceses que criticam a direção da empresa pela ‘‘brutalidade’’ do anúncio da supressão de milhares de empregos sem nenhum cuidado com suas consequências sociais.
A Renault sempre esteve ligada às grandes lutas sindicais e sociais da França, envolvendo principalmente sua fábrica nas portas de Paris, hoje já desativada, em Boulogne-Billancourt, inclusive com participação ativa quando do movimento de maio de 68, onde se realizaram os grandes comícios que marcaram a vida social do país.
Demissões Ontem o presidente do grupo Renault, Louis Schweitzer, foi convocado pelo primeiro ministro Alain Juppé, que exigiu explicações sobre o método utilizado para anunciar o fechamento da fábrica de Vilvorde, na Bélgica. O encontro durou pouco mais de uma hora. No final, o presidente do grupo admitiu que poderia corrigir o tiro, mas não cedeu em nada sobre a decisão de supressão dos postos de trabalho.
Se insistir com os efetivos atuais, argumentou, o prejuízo do grupo - que no ano passado foi de US$ 1 bilhão de dolares - poderá ser superior a US$ 2 bilhões. Schweitzer explicou ao primeiro ministro os motivos estratégicos e econômicos que motivaram a decisão de reestruturação da empresa. Ele reafirmou que está respeitando as regras e a legislação francesa, belga e européia, dispondo-se a debater com os sindicatos as medidas de acompanhamento, tanto na França como na Bélgica, mas mantendo as demissões.

mockup