Fabricantes travam guerra de novidades para ganhar mercado
É no filão mais rentável do mercado de eletroeletrônicos, o áudio e vídeo, que se trava neste momento a maior batalha pela preferência do consumidor. E nesta batalha a líder Philips, ao invés de se limitar a novos produtos, surge com um novo conceito, o Home Cinema.
A equação da Philips é a seguinte: o Brasil tem 37 milhões de lares, 31 milhões dos quais com energia elétrica. Destes, 25 milhões já possuem TVs coloridas. Mas TVs de tela grande estão em apenas 1,5 milhão deles, enquanto 500 mil têm vídeo.
Estes últimos seriam, portanto, os grandes mercados a serem conquistados e o Home Cinema engloba tudo isto. Sua novidade é um processador Dolby Prologic com cinco caixas acústicas que, junto com a TV de tela grande e o vídeo Hi-Fi, tornam acessível o cinema em casa. O processador distribui o som em quatro canais.
Neste mês a empresa reuniu mil lojistas em São Paulo para divulgar o produto-conceito. Há planos de oferecer todo o conjunto (TV, vídeo e processador) em planos de 20 pagamentos de R$ 190. Quanto ao processador, o coração do sistema, está sendo oferecido em três versões: como minisystem - com processador e CD changer para 7 discos - de R$ 1.500 ou apenas receiver com cincos caixas, em modelos de R$ 1.200 e R$ 900.
A empresa está investindo US$ 50 milhões no novo produto, com o qual espera obter 30% de suas vendas de áudio e vídeo. O mercado total de áudio, de US$ 1,6 bilhão, é dominado pela CCE, que detém participação de 23%, seguida da Gradiente, com 20% e da Philips, com 17%.
Ano passado a empresa faturou US$ 1,52 bilhão, valor que deve chegar a US$ 1,8 bilhão em 1996. A Philips espera vender neste ano cerca de 1,8 milhão de aparelhos de TV, 50% a mais que em 1995 e correspondendo a 20% do mercado total de TVs do País. Em outubro a empresa lançou 15 novos produtos no mercado - 11 modelos de TV, uma TV com vídeo acoplado e três modelos de videocassetes. Além de novos produtos, outro grande investimento da Philips este ano foram os US$ 50 milhões para produzir, em Recife, componentes eletrônicos e cinescópios.
O maior dos investimentos da empresa, porém, ficou na área de informática: US$ 55 milhões em nova fábrica em São José dos Campos (SP), para produzir monitores. Na cidade já funciona a fábrica de cinescópios, que também está sendo ampliada.
Há uma divergência quanto ao segundo lugar na venda de TVs. A Semp Toshiba diz que está detendo esta posição, superando o ocupante anterior, a Philco, que nega. A Philco vinha detendo 17% do mercado, enquanto a Semp Toshiuba tinha 15%. Os outros fabricantes são a CCE, Mitsubishi, Sanyo, Sony e Samsung.
É da Semp Toshiba a melhor performance econômica do setor, tanto que foi eleita a empresa do ano pela revista Exame. Neste ano a empresa ingressou no setor de informática, com a compra da Lince e também está se preparando para produzir refrigeradores e freezers. A Semp Toshiba faturou US$ 719 milhões em 1995. Recentemente a empresa ampliou sua linha de TVs, com modelos de tela grande de 34, 37, 56 e 61 polegadas e lançou o primeiro televisor de 29 polegadas com videocassete quatro cabeças acoplado.
Já a Philco aposta no binômio simplicidade de manuseio-sofisticação de produto, segundo seu gerente de Relações Públicas, José Antônio Fardo. Lançamos o primeiro fax vertical, que facilita a operação, o primeiro TV de 20 polegadas com vídeo acoplado, o primeiro controle remoto simplificado enumerou.
Mas seu grande filão são as TVs de tela grande, cujas vendas cresceram este ano 130%, de acordo com Fardo. O mercado total de TVs de tela grande este ano foi de 900 mil unidades, 10% das vendas totoais de TV. Este segmento está em rápida expansão para todas as empresas.
A Philco deve investir US$ 200 milhões entre 1996 a 2000, basicamente ewm produtos e tecnologia industrial. O grupo Itautec-Philco prevê um faturamento este ano US$ 1,2 bilhão, 27% acima do resultado obtido em 1995, resultado obtido meio a meio pelas áreas de informática e de eletrônica de consumo.





