Fabricantes tentam frear importações
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
As empresas nacionais de tratores e máquinas agrícolas estão querendo frear a importação de tratores da China e leste europeu pelos pequenos agricultores, segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Francisco Urbano. Depois de dezesseis anos sem crédito para investimentos, os pequenos agricultores passaram a contar com recursos individuais de até R$ 15 mil do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e, desde o ano passado, já importaram mais de 500 tratores populares chineses e poloneses, principalmente.
A indústria nacional percebeu o potencial deste nicho de mercado e começou a agir para ocupá-lo. Na semana passada, representantes das principais empresas de máquinas e tratores reuniram-se com o presidente da Contag e com representantes do Conselho de Desenvolvimento do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) para buscar uma solução. Segundo Urbano, o argumento principal usado na reunião foi de que o FAT financia a agricultura familiar com recursos dos trabalhadores brasileiros, que estão perdendo o emprego com a importação das máquinas. As indústrias garantem que têm parque ocioso para atender a demanda da agricultura familiar e pediram ao presidente da Contag que especifique o tipo de equipamento que os pequenos produtores precisam. O presidente da Contag aceitou discutir a questão em uma nova reunião esta semana.
O diretor de desenvolvimento da AGCO do Brasil (detentora da marca Massey Ferguson), Paulo Herman, acredita que este novo nicho de mercado da agricultura familiar poderá consumir de dois a três mil tratores adicionais por ano. Ele garante que a indústria nacional tem condições e interesse em atender este mercado e se mostra disposta a, junto com a Contag, lutar para conseguir a isenção de alguns tributos que oneram o preço da máquina brasileira. Com um pequeno exercício de eliminação de alguns tributos, como ICMS, Cofins e IPI, o preço dos tratores poderia ser reduzido de 15% a 18%, disse Herman. O diretor da AGCO afirma que os tratores que estão entrando no Brasil têm tecnologia defasada, além de não existir uma preocupação de se criar uma estrutura de manutenção pós-venda. Um trator é feito para durar 10 anos e, sem manutenção, a vida útil da máquina será menor. Herman avalia que, se a intenção do governo é fazer um programa para desenvolver a agricultura familiar, mantendo os produtores no campo, não faz sentido aumentar o desemprego nas cidades.
O presidente da Contag, Francisco Urbano, disse que é preciso discutir que tipo de política o País adotará para baratear o custo das máquinas. A pequena agricultura não vai entrar no mercado se não tiver tecnologia e os equipamentos que estão disponíveis no Brasil são para grandes produtores, avaliou. Urbano acredita, no entanto, que vale a pena discutir esta questão e espera avançar no assunto no próximo encontro com empresários e trabalhadores esta semana. A base para a discussão, segundo Urbano, é o limite individual de financiamento para investimento no Pronaf, de R$ 15 mil. Atualmente o trator mais barato das indústrias nacionais custa em torno de R$ 18 mil, custo que poderia ser reduzido para R$ 13,5 com a isenção de alguns tributos. Segundo a Contag, pequenos agricultores estão importando tratores populares chineses por R$ 3,5 mil.
Técnicos do Ministério da Agricultura observam, no entanto, que houve falta de interesse da indústria nacional com o público da agricultura familiar. Há cerca de dois anos, o então ministro José Eduardo Andrade Vieira chamou os representantes da indústria para propor a fabricação de um trator popular e eles não se interessaram. Agora que estão vendo a agricultura familiar como mercado, correm atrás do prejuízo, comentou um técnico.


