São Paulo - O grupo CNH Latin America (que reúne as fabricantes de máquinas agrícolas Case, Fiatallis e New Holland) deve garantir aproximadamente 30% da receita deste ano com exportações para 40 países. De janeiro a abril, foram exportadas 939 máquinas, 34% a mais do que as 700 unidades do primeiro quadrimestre de 2003.
A intenção da empresa é chegar a quatro mil equipamentos embarcados, 14% a mais do que em 2003. Mas até lá a CNH vai ter de enfrentar diversos problemas relacionados a logística de exportação e encarar outros entraves para a importação de peças. A escassez de contêineres especiais, a falta de espaço nos navios e as greves nas aduanas têm provocado constantes atrasos nos embarques.
A empresa tem um contrato com a operadora logística Danzas, que cuida dos trâmites logísticos. A CNH produz máquinas agrícolas em fábricas em Curitiba (PR) e Piracicaba (interior de SP). De acordo com o diretor de Logística da CNH, Rafael Bessa, os países da América do Sul respondem por metade da receita com exportação da CNH do Brasil. A Argentina iniciou a recuperação da demanda no ano passado e é o principal cliente da companhia.
As máquinas agrícolas vão para os países do continente por via rodoviária. ''Fizemos testes usando o modal marítimo, mas o frete não compensa'', diz Bessa. A outra metade da receita de exportação é obtida com embarques para países da América do Norte, África e Ásia. Cerca de 70% desses embarques são feitos pelo Porto de Paranaguá (PR) e o restante pelo Porto de Itajaí (SC).
De acordo com Bessa, a CNH tem sofrido diversos atrasos nos embarques desde o ano passado, mas os problemas se agravaram com a greve dos auditores federais e com os congestionamentos dos portos a partir deste ano. Para Ana Carolina, o congestionamento nos portos tem causado constantes cancelamentos de escalas por parte de armadores. ''Muitos navios simplesmente cancelam a escala no porto que está cheio demais e vão para o porto seguinte'', diz Ana Carolina. De acordo com ela, hoje é preciso reservar espaço nos navios com dois meses de antecedência. ''Antigamente, fazíamos reserva 15 dias antes da chegada da embarcação.''
Bessa declara que a empresa tem tido prejuízos e aumento de custos por causa desses entraves logísticos. Um dos principais problemas tem sido receber as peças importadas para a fabricação de colheitadeiras, que, conforme o modelo, têm índice de nacionalização de 70%. ''Por isso, estamos estudando formas de aumentar a nacionalização das máquinas.''
De acordo com ele, os atrasos na exportação ainda não causaram nenhum cancelamento de contrato. ''Esta seria uma situação extrema, mas há, sim, muita reclamação de cliente que não recebe o produto no prazo.'' O executivo afirma, porém, que está confiante de que o governo federal fará investimentos para diminuir os gargalos logísticos.

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