Mais de US$ 250 milhões devem ser investidos nos próximos três anos pela indústria de tintas brasileira em ampliação de produção, modernização de plantas, instalações e aquisição de equipamentos. Os investimentos, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), são motivados pela necessidade de atualização tecnológica constante do parque fabril e dos processos de produção, bem como pelo crescimento projetado do setor, que deve superar nos próximos anos a marca de 1 bilhão de litros vendidos.
Para este ano a previsão da Abrafati é de que o setor feche o período com um crescimento no faturamento de 4% a mais que 2003. Dados da associação apontam para uma produção de quase 900 milhões de litros de tintas em 2004, resultando em uma alta de 5% na produção. ''Nos próximos três ou quatro anos teremos um crescimento acumulado de quase 25%'', assegurou Dílson Ferreira, presidente da Abrafati.
Os empresários do segmento apostam nas vendas das linhas de produtos direcionadas à construção civil, a qual totaliza 60% da demanda. A expectativa é que o consumidor compre tanto materiais para pintura nova como para repintura. ''Os investimentos que serão feitos são uma manifestação da confiança do setor no mercado que a gente atende'', frisou Ferreira.
O segmento da construção, segundo ele, tem apresentado resultados positivos nos último meses, o que permite que os fabricantes de tintas trabalhem com mais segurança e boas expectativas. ''Já dá para planejar melhor os investimentos. Diferentemente do que foi no ano passado quando a construção civil passou por um período de recessão'', salientou.
A indústria automobilística, segundo Ferreira, também é considerada um forte mercado para os fabricantes de tintas, pois consome uma linha de produtos com alto valor agregado. Ele apontou que grande parte do crescimento do segmento de tintas teve como respaldo o bom desempenho do mercado de veículos, o qual já aumentou suas vendas em 15% este ano.
Conforme o presidente da Abrafati, os investimentos planejados visam principalmente o mercado interno, mas também buscam maior espaço nas exportações. ''Consideramos que existe um bom mercado no exterior para as tintas brasileiras, especialmente aquelas com maior valor agregado, como as tintas para repintura'', afirmou. Hoje, acrescentou Ferreira, o Brasil alcança pouco mais de US$ 80 milhões com a exportação.
Os investimentos na Hydronorth, empresa fabricante de tintas da região de Londrina, já alcançaram os R$ 3 milhões em 2004, como informou Matheus Góes, diretor da fábrica. A previsão, segundo ele, é fechar o ano com um volume de vendas 20% maior que 2003. Devem ser vendidos aproximadamente 4,5 milhões de litros de tintas em 2004. ''O primeiro semestre ainda não foi o esperado, mas o segundo período do ano começou muito bem'', frisou Góes.
A médio e longo prazo, a empresa tem previsão de investimentos para a construção de uma nova fábrica na região. Para 2005, o objetivo é injetar a mesma quantia deste ano e investir mais em produtos para exportação. ''Apostamos no aquecimento da economia'', concluiu Góis.

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