Fabricantes de massas secas reajustam preços em até 12%
Agência Estado
De São Paulo
A indústria de de massas secas já está promovendo reajustes de preços, no rastro da alta das cotações do dólar. A Socma Alimentos, líder no segmento, com participação de 17%, está com os preços 12% mais altos que no princípio do mês. Quem não repassar parte dos custos quebra, adianta Dácio Pozzi, presidente da Socma, que produz as marcas Adria, Isabela e Basilar. Pelas contas de Aluízio Quintanilha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima), os custos vêm aumentando em alta velocidade, obrigando a indústria repassar uma parcela ao consumidor, apesar do mercado recessivo.
Na última semana, o preço da farinha aumentou 18% e esse insumo representa 45% do custo final do produto, contabiliza. Segundo Quintanilha, 80% do trigo utilizado pelo setor é importado, principalmente da Argentina. Com o dólar nessa altura é impossível segurar preços, diz.
Ele ressalta que além da matéria prima, outros itens também foram afetados diretamente pela desvalorização do real. As embalagens fabricadas a partir de derivados de petróleo e as de papelão ficaram 30% mais caras, o frete aumentou outros 30% e a mão de obra, 4,5%.
Quem não repassar custos terá dificuldade de sobrevivência, adianta Aladino Selmi, diretor da Selmi. No seu entender, a desvalorização da moeda trouxe uma outra consequência: encareceu novos investimentos num setor em que toda a tecnologia é importada.
Este ano as indústrias estão investindo R$ 60 milhões mas, no próximo, a expectativa é de que tenham de desembolsar o dobro, só por conta da desvalorização cambial, reclama Selmi. O Pastifício Selmi produz as marcas Renata e Gallo, com a vice-liderança no mercado.
Os altos custos de modernização de equipamentos, acrescenta, resultaram num processo de concentração do setor. As indústrias, que somavam 400 na última década, foram reduzidas para 200. Deste total, 15 respondem por 65% da produção nacional.





