São Paulo - Otimismo, mas com uma pontinha de desconfiança. Esse está sendo o tom na terceira edição da Feira de Tecnologias para a Indústria Têxtil - Tecnotêxtil Brasil, que teve início na última segunda-feira e será encerrada hoje no Expo Center Norte, em São Paulo. O evento conta com quase 200 estandes de fabricantes de equipamentos para as várias etapas da indústria têxtil, como malharia, tecelagem, impressão de estampas e acabamento.
O otimismo é por conta da perspectiva de recuperação após dois anos de mercado irregular. "O ano de 2010 foi muito bom, fora da curva. Já 2011 e 2012 foram uma 'serra', cheia de altos e baixos", comentou Valdir Schick, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Têxteis da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
Uma das razões do otimismo é a realização no Brasil dos dois maiores eventos esportivos do planeta, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que podem provocar uma expansão da produção e das vendas (de camisetas, shorts, meias) da indústria têxtil brasileira, o que aumentaria a demanda por maquinário. Mas o receio é que esse movimento seja comprometido pelo grande adversário da produção do País: o produto têxtil chinês, que chega ao mercado a preços mais baratos.
Schick relatou que a invasão de mercadorias da China tem sido tão intensa que muitos proprietários de indústrias têxteis brasileiras têm preferido encerrar a fabricação e importar o produto oriental pronto. "O movimento pode ser bom para nós desde que o chinês não mande a camisa verde-amarela", ironizou o empresário.
Selmo Fronczak, encarregado de uma empresa de fiação de Ponta Grossa, foi à Tecnotêxtil para ver novidades em equipamentos e peças. "Não costumamos comprar nos eventos, mas trocamos informações com fornecedores para eventualmente depois fazer algum negócio", explicou. Ele confirmou a impressão de que, após "tempos difíceis", o setor está reagindo. "Queremos fazer alguma coisa para a Copa das Confederações (que também será realizada no Brasil, em junho deste ano) e a Copa do Mundo", afirmou o encarregado.
De olho nas vendas para a Copa e as Olimpíadas, a paulistana Avanço mandou para a Tecnotêxtil uma máquina que produz camisas esportivas em alta velocidade. O manager técnico da empresa, Fernando Torelli, acredita que o momento é de recuperação, mas admitiu o receito da concorrência do produto chinês para os clientes brasileiros. "O Brasil tem em torno de 14 mil teares. A China tem 180 mil", argumentou.
Valdir Schick apontou que uma alternativa seria a adoção de barreiras técnicas para impedir a invasão chinesa, como restrições para a importação de produtos têxteis fabricados por empresas que não atendam a regras de segurança internacionais, por exemplo. "Mas o Brasil não tem política industrial", criticou.
A Tecnotêxtil é realizada a cada dois anos e nesta edição tem representantes de fabricantes de maquinário de mais de 40 países. Na feira anterior, em 2011, foram aproximadamente R$ 750 milhões em vendas. "Para este ano, esperamos fechar com ao menos R$ 900 milhões", estimou Hélvio Pompeo Madeira, diretor da empresa Feiras, Congressos e Empreendimentos (Fcem), organizadora do evento.
O repórter viajou a convite da organização do evento.

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