Fabricantes de insumos ganham com Farm Bill
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Agência Estado 
São Paulo Os grandes beneficiários do novo pacote de subsídios para a agricultura nos Estados Unidos, a Farm Bill, serão os fabricantes de equipamentos agrícolas, defensivos e fertilizantes norte-americanos. A afirmação é da professora Heloisa Lee Burnquist, pesquisadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo. Ela expõe, em artigo intitulado A era das negociações, que estes segmentos são os que efetivamente ganham com sistemas de transferências diretas aos produtores, já que maximizam suas vendas à medida que os agricultores expandem sua produção, o que resulta em preços (desnecessariamente) deprimidos e rendas (desnecessariamente) baixas.
Quem efetivamente aufere, portanto, rendas mais altas neste contexto são os demais segmentos do agronegócio, e não os agricultores, destaca o artigo. Segundo a pesquisadora, estima-se que os dispêndios com sementes, fertilizantes e defensivos, tidos como os insumos mais caros para o agricultor norte-americano, devem somar US$ 26,9 bilhões em 2002, de acordo com previsões do USDA (Departamento de Agricultura norte-americano), dos quais 64% desses dispêndios estariam sendo pagos com dólares dos cofres públicos norte-americanos.
No total, os pagamentos diretos feitos pelo governo norte-americano ao setor agrícola em 2001 somaram US$ 21 bilhões ante uma receita líquida agrícola de US$ 49,3 bilhões (excedida apenas pelo valor recorde de US$ 54,9 bilhões realizados em 1996), segundo a pesquisadora. Porém, os compromissos assumidos pelos EUA junto à OMC são de que o país não pode ultrapassar o limite de US$ 19,1 bilhões em transferências anuais para a agricultura. Diante disso, cabe questionar como fica a questão do limite estabelecido pela OMC. Ou seja, qual é a sua importância efetiva?, questiona Heloisa.
O artigo informa também que, se em 2002 o montante transferido para a agricultura corresponder ao limite máximo de US$ 19,1 bilhões permitido pela OMC pelo menos até que as negociações sejam retomadas, em 2005 , o governo daquele país estaria transferindo aos agricultores, em 2002, cerca de 47% da receita líquida do agricultor. A previsão de receita líquida para a agricultura norte-americana neste ano, apresentada pelo USDA, é de US$ 40,6 bilhões.
Segundo a pesquisadora, subsidiando a agricultura o governo norte-americano estimula um excesso de produção que deve derrubar os preços mundiais das commodities agrícolas para níveis ainda mais baixos dos que já vêm prevalecendo. Como resultado, a União Européia passa a ser forçada a incrementar seus subsídios, dado que o bloco econômico sustenta que uma de suas metas principais é proteger seus produtores agrícolas de mercados desfavoráveis. O desequilíbrio provocado deve desencadear, portanto, uma espiral de produção de excedentes por países ricos e redução nos preços recebidos pelos agricultores de países mais pobres, que têm na produção agrícola a base de suas exportações.
Fica evidente, portanto, que a intenção manifestada pelo governo brasileiro em questionar a lei agrícola norte-americana junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) é extremamente procedente, diz o artigo.


