São Paulo - Os fabricantes de eletroeletrônicos, automóveis e outros bens duráveis apostam em um Natal bem mais feliz este ano. Com a queda dos juros e o alongamento dos prazos, as prestações estão cabendo até dentro dos salários mais achatados. Empresas como a Philips, que fabrica TVs e DVDs, projetam um aumento de vendas para o varejo de 30% em relação ao ano passado.
Mas a retomada do crescimento da economia pode ser um ''vôo da galinha'' se continuar ancorada apenas na expansão do crédito. Os setores que dependem mais diretamente do poder de compra dos trabalhadores, e que estão entre os mais importantes da economia, ainda não têm motivos para festejar. Nas indústrias de alimentos, fármacos e outros bens não duráveis e semi-duráveis, os sinais de recuperação são tênues.
A Alcan, fabricante de produtos de alumínio, é um termômetro para esta retomada heterogênea. Lá, a venda de ''quentinhas'', as embalagens de alumínio descartáveis, está em queda de 10%. ''As empresas que fornecem refeições em quentinhas não estão aumentando os empregos, e muitas pessoas deixaram de frequentar restaurantes, portanto não levam os restos para casa'', diz Mauro Moreno, diretor de operações da divisão de folhas de alumínio da Alcan. Já o setor de alumínio para transportes, que fabrica radiadores, saiu mais rapidamente da crise - está crescendo 2%. A redução do IPI e as vantagens nos financiamentos impulsionaram a venda de automóveis. No fornecimento de alumínio para fabricantes de ar-condicionado, houve um salto de 20%, porque os aparelhos estão sendo exportados.
''No ano que vem, se houver o crescimento previsto de 3,5% do PIB, esperamos um aumento na venda das ''quentinhas'', porque haverá mais frentes de trabalho, principalmente na construção civil'', diz o executivo. Moreno está otimista.
A indústria de eletroeletrônicos, que tem mais de 70% das vendas a crédito, já sente alívio depois de um ano difícil. ''Em meados do ano, projetamos crescimento de 20% no último trimestre'', diz Paulo Ferraz, vice-presidente da divisão de Consumer Electronics da Philips. ''Mas fomos muito conservadores, já que a receita vai crescer 30%.'' Como resultado, está faltando produto, e os funcionários da Philips estão fazendo horas extras para aumentar a produção. ''O crédito é absolutamente vital para o nosso setor; além disso, os dissídios de algumas categorias deram mais confiança para as pessoas gastarem'', diz Ferraz.
No setor, a venda de DVDs e videocassetes cresceram 21% até novembro, em unidades, na comparação com o mesmo período do ano passado. A venda de TVs cresceu 6%.

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