Fabricantes contestam informações sobre adoçantes
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sexta-feira, 07 de julho de 2006
Reportagem Local 
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos Dietéticos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) e a Lowçucar, um dos maiores fabricantes de produtos diet e light do País, estão contestando a informação repassada pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) de que consumir edulcorantes - substâncias usadas para adoçar alimentos - faz mal à saúde. Segundo eles, é impossível que alguma pessoa atinja ou ultrapasse o índice de ingestão diária aceitável (IDA) do edulcorante, uma vez que há um fator de segurança 100 vezes maior do que os índices estabelecidos como aceitáveis.
''O Idec parte de uma premissa equivocada ao associar o uso de edulcorantes (e aditivos alimentares em geral) a problemas de saúde. Eventuais riscos à saúde do consumidor têm de ser informados quando existem de fato, o que não é o caso dos edulcorantes'', afirma uma nota oficial da Abiad enviada da à imprensa. Segundo o comunicado, os aditivos alimentares são sujeitos a análises toxicológicas ''rigorosas'' antes do uso nas indústrias. Além disso, o limite de consumo diário é estabelecido com base em estudos de cobaias para determinar os efeitos tóxicos a curto e longo prazo.
O consumo considerado seguro para os animais é dividido por cem para se obter o IDA aplicado ao consumo humano. Por exemplo, de acordo com a Abiad, no caso do aspartame um adulto de 60 quilos pode consumir diariamente até 2,4 mg, o que equivale a cerca de 60 envelopes de 1 grama de um adoçante dietético com 4% de aspartame ou quatro litros de refrigerante adoçado com aspartame. No caso de uma criança com 30 quilos, as quantidades máximas diárias correspondem a 30 envelopes do mesmo adoçante ou a 2 litros de refrigerante.
Na nota, a associação ressalta ainda que ''a legislação vigente não obriga os fabricantes de alimentos a declarar nos rótulos dos produtos as quantidades de edulcorantes usados em sua formulação, os respectivos índices de ingestão diária aceitável ou qualquer limitação de consumo''. Aliás, a Abiad ressalta que nenhum outro país faz tais exigências. Segundo o engenheiro químico Amauri Couto, diretor da Lowçucar, as doses mínimas de aditivos usados pela indústria ocorrem devido à potência dos produtos. Ele informa que a sacarina adoça 500 vezes mais do que o açúcar; a estévia, 300 vezes mais; ciclamato, 40 a 50 vezes; e aspartame, 200 vezes.
''Diante do exposto entendemos que, em vez de esclarecer, a pesquisa do Idec contribui para confundir a opinião pública sobre o uso de edulcorantes'', diz a nota oficial. Os fabricantes ainda ressaltam que a colocação de termos técnicos e tabelas complexas não agregam valor à informação e se tornam, na maioria dos casos, ''imprestáveis e desnecessárias'' porque irão confundir os consumidores e ''tumultuar o mercado em geral''.


