Fabricantes antecipam aumento de imposto sobre cerveja
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Daniela Amorim <br> Agência Estado 
Rio - As bebidas estão pesando mais no orçamento das famílias. O avanço foi superior ao do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado sugere uma antecipação do aumento de impostos sobre o produto.
Nos últimos 12 meses, a cerveja consumida dentro de casa ficou 12,97% mais cara, enquanto a cerveja consumida na rua subiu 12,58%. O avanço representa mais do que o dobro da inflação oficial no período, que acumulou uma alta de 5,24%, informou o IBGE.
''As cervejas têm aumentado muito. Parece que houve uma antecipação do aumento do imposto'', avaliou Irene Machado, técnica da Coordenação de Índices de Preços do instituto. Ela refere-se ao aumento de impostos determinado por decreto publicado em 31 de maio no Diário Oficial. À época, os fabricantes calcularam que a mudança no método de cálculo do IPI e do PIS/Cofins incidentes sobre cervejas e refrigerantes resultariam em uma elevação de 27% nos impostos sobre a cerveja e de 10% sobre os refrigerantes.
''É o maior aumento de imposto da história do País. Nunca houve um aumento de imposto tão grande'', disse Alexandre Loures, diretor de Comunicação da Ambev, que detém 68% do mercado brasileiro de cerveja.
A nova tabela de cálculo passa a vigorar em outubro, mas os fabricantes já começaram a repassar os custos maiores com os tributos. A Ambev nega que tenha praticado um aumento de 18% em qualquer uma de suas marcas de cerveja. Mas a empresa confirmou que espera aumentar em 10%, em média, o preço do produto este ano, sendo que 5% seriam apenas do repasse dos impostos mais altos. Desde junho, a Ambev já aumentou em 7% o preço da cerveja. Os outros 3% serão repassados até o fim do ano.
''Conforme já havíamos anunciado, o aumento do imposto implicará em um aumento de 5% na cerveja. Mas também costumamos repassar nessa época do ano as perdas com a inflação. E agora ainda tem a pressão do câmbio, que, com o dólar subindo, aumenta muito os custos com os nossos insumos importados, como malte e lúpulo'', explicou Loures.


