Fabricação do vinho é artesanal
A fabricação do vinho não requer menos cuidados do que as parreiras. O cultivo e o trato com as uvas ajudam a definir o vinho, mas o seu armazenamento também influencia. A bebida pode mudar completamente durante o seu descanso, que pode variar de nove meses (o tempo mínimo necessário) a um ano. Neste ponto o clima colabora porque as madrugadas são frias na propriedade da Warta, que fica à beira de um fundo de vale. Por isso, as portas do local onde estão armazenados os tonéis ficam abertas durante a noite. Os tonéis chegam a suar, diz o enófilo Alcides Carvalho.
A fermentação deve ocorrer até, no máximo, 30º C e sempre à sombra. Por isso, o esfriamento dos tonéis é feito artesanalmente com mangueiras de água fria. Outra alternativa utilizada é a introdução na bebida de uma garrafa pet com gelo para fazer cair a sua temperatura. O esmagamento das uvas é automatizado. Também é feita a reposição da casca da uva de forma manual. Este procedimento deve ser realizado porque durante a fermentação a casca tende a subir, enquanto as sementes descem.
As cascas é que garantem coloração e as essências ao vinho. Se não for feita esta remontagem o vinho pode até ficar leve e gostoso, mas não será encorpado, explica Carvalho. Outro fator é a saúde. A maioria das substâncias benéficas estão presentes na casca. A produção artesanal de Eloy Müller também não leva conservantes, somente o mínimo exigido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os tonéis são todos de inox e ficam hermeticamente fechados porque o contato com o ar pode azedar o vinho.
Também há cuidados com a decantação. O vinho não passa por qualquer filtragem, como no modo industrial. A separação entre as partes sólidas e a bebida ocorre naturalmente. Além disso, os vinhos são transferidos entre vários tonéis como forma de separar os resíduos. Outros diferenciais são os aromas e sabores naturais. Por isso, a cada ano os aromas são diferentes, mostram o que a videira extraiu do solo e levou para a fruta. Isso é muito importante para os apreciadores de vinho, comenta o enófilo.
Este fator garante, por exemplo, um fato raro. A uva Cabernet Sauvignon cultivada na Warta está com aroma e sabor de café. A explicação para isso é que o local já abrigou lavouras cafeeiras. A preferência atual recai sobre os aromas naturais. Há produções que introduzem carvalho no vinho para incorporar o aroma de madeira, mas pode ficar artificial, observa Carvalho. A plantação de 2 hectares garante cerca de 6 mil litros por safra ou 10 mil garrafas.
No entanto, a produção não pode ser comercializada nos mercados atacadistas ou varejistas porque a bebida ainda não tem registro no Ministério da Agricultura. Por enquanto, os vinhos são comercializados na propriedade e em feiras de produtores. No entanto, a documentação já está em andamento e a previsão é que até o final do ano o produto esteja registrado. Mas isso também não impede a demanda: já há clientes em fila de espera aguardando a próxima safra de vinhos artesanais. É um vinho bom para o público que aprecia um trabalho mais artesanal, diz o enófilo. (F.M.)





