Mário César




Ranking da cervejaDiretores da Spaipa anunciaram, ontem em Londrina, números sobre a participação da empresa no mercado. Na foto inferior, Bill Taylor, presidente do grupo, diz que nova linha de cerveja em lata entra em operação em janeiro

Desde que começou a produzir cerveja na fábrica de Ponta Grossa, a participação da marca Kaiser tem crescido no mercado paranaense. A empresa já é líder no Estado com 29,9%, aumentando sua posição em um ano em 5,5%. Apesar de ter entrado em operação em novembro passado, a cervejaria foi inaugurada em março deste ano. O crescimento da produção foi de 2,4% no bimestre agosto/setembro em relação ao anterior.
Em Curitiba, a Kaiser lidera com 47% do mercado, segundo o diretor de marketing do Grupo Spaipa, Rinaldo Dalaqua, que falou ontem em Londrina sobre os números da empresa neste ano. O grupo é acionista e distribuidor da Kaiser no interior de São Paulo e todo Paraná, além de ser o segundo maior fabricante de Coca-Cola do Brasil.
Em Londrina, a marca Kaiser detém 15,5% do mercado, registrando um aumento nas vendas de 33,1% de janeiro a novembro deste ano. A cerveja Antarctica é a líder, com cerca de 20% da preferência dos londrinenses. Em segundo lugar está a Skol e, em terceiro, há empate técnico entre Kaiser, Brahma e Schincariol, segundo Dalaqua. ‘‘Mas pretendemos chegar à posição de líder no próximo ano, com previsão de crescimento de 20%’’.
Ele diz que, apesar da fatia de mercado da Kaiser ter crescido, o consumo não aumentou nesse período. ‘‘Estamos tomando o mercado de nossos concorrentes’’, garante o diretor de marketing. A estratégia adotada pela empresa em Londrina tem sido fechar parcerias com pontos de vendas exclusivos como o Catuaí Bowlling Center, London Café Bingo, Villa Fontana, O Casarão, Galpão Nelore, Chinezinho Express, Cinema Café, entre outros. ‘‘Apesar de ainda não ter o hábito de pedir Kaiser, o londrinense não tem rejeição pela marca’’, diz Dalaqua, que considera o fechamento da fábrica da Skol em Londrina, há quatro anos, um grande erro de estratégia. ‘‘Agora, a Skol está pagando por isso’’, diz.
Segundo Dalaqua, o crescimento das vendas da cerveja Kaiser no Paraná tem a ver com o ‘‘bairrismo’’ do povo, que prefere consumir produtos ‘‘da casa’’. Em dezembro de 93, a Kaiser vendia cinco mil caixas do produto na Cidade. Neste mês, deve vender 60 mil caixas.
Com investimentos de US$ 115 milhões, a fábrica de Ponta Grossa tem capacidade de produção de 23 milhões de litros por mês. Atualmente, produz 17 milhões/mês. A expectativa do diretor presidente da Spaipa, Bill Taylor, é fechar este ano com uma venda de 200 milhões de litros de cerveja e faturamento de R$ 750 milhões. A Kaiser, que tem oito fábricas espalhadas pelo País e previsão de abrir a nona unidade em Minas Gerais no ano 2000, está investindo mais US$ 30 milhões na instalação da linha de cerveja em lata em Ponta Grossa, que deve entrar em operação no próximo mês. Segundo Taylor, no Brasil são consumidos 50 litros de cerveja por habitante anualmente. Na Alemanha, são 120 litros por habitante ao ano.
O diretor da Spaipa calcula que o Paraná tenha uma evasão fiscal de R$ 120 milhões por ano por conta da sonegação só no setor de cervejas e refrigerantes. A Kaiser recolhe cerca de R$ 240 milhões anualmente sobre a distribuição de cervejas e refrigerantes, diz o diretor. Segundo Taylor, se o preço real de uma cerveja é de R$ 1, ela chega à mesa do consumidor por R$ 2,70 por conta da taxação. ‘‘No caso da Coca-Cola, se custa R$ 1, chega a R$ 1,60 ao consumidor. Este tipo de imposto oculto também aumenta a sonegação’’, diz.

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