Fábrica no PR abre mercado para Renault
Luciana Pombo
De Curitiba
Nacionalizar cada vez mais os carros Renault no Brasil e diminuir os custos da produção. Estes são os objetivos da diretoria da montadora francesa, que pretende conquistar até 2005 10% do mercado brasileiro de automóveis e 11% do Mercosul. O primeiro passo foi dado ontem, com a inauguração da indústria Mecânica Mercosul, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A nova fábrica irá produzir motores K4M, de quatro cilindros, 1598 cilindradas e 16 válvulas, e o D4D, de 1000 cilindradas e 16 válvulas. Os motores serão destinados para os carros modelos Clio II e Mégane Scénic. Deverão ser abastecidos os mercados interno brasileiro, da Argentina, Uruguai e Colômbia.
O segundo passo começará a ser dado no ano que vem, quando iniciarão as obras para a instalação de três linhas de usinagem de componentes de motor: blocos, cabeçotes e virabrequins, com capacidade para a produção de 400 mil peças por ano. Com a finalização deste projeto, a Renault terá investido cerca de US$ 220 milhões, numa área industrial de 27,3 mil metros quadrados. A previsão é a de geração de 400 empregos diretos e cerca de 3,5 mil indiretos. Acreditamos que com esse investimento, possamos alcançar os nossos objetivos e chegar até 2005 com 10% no mercado nacional de automóveis conquistado, declarou Pierre Alain de Smedt, vice-presidente do Grupo Renault. Atualmente, a Renault detém 3% do mercado brasileiro de automóveis.
A nacionalização dos carros produzidos no Brasil vai ser a principal estratégia para a conquista do mercado. A intenção é chegar, até o final de 2001, com 85% da produção dos automóveis com origem brasileira. Teremos assim um custo similar ao carro produzido na França, salientou Luc-Alexandre Ménard, presidente da Renault no Brasil e diretor geral para o Mercosul. Outra estratégia será aumentar o número de concessionárias da Renault no Brasil. Atualmente, são 88 concessionárias credenciadas. Até o final de 2001 serão 200. Isto nos permitirá fazer uma cobertura de mercado em torno de 85%, informou.
O mercado latino-americano também deverá ter crescimento, segundo as previsões da diretoria da Renault. Acreditamos que até 2004 viveremos um período de preparação para o mercado livre entre os países do Mercosul. Estaremos trabalhando para isto, argumentou Ménard. As divergências atuais entre o Brasil e a Argentina, foram classificadas por Ménard como um jogo de cena. Esta é uma situação teatral, mas que deverá ter uma resolução mediante o diálogo e o fortalecimento econômico dos dois países. O Brasil precisa da Argentina e a Argentina ainda mais precisa do Brasil, disse ele.
Esse foi um dos assuntos da conversa ocorrida anteontem entre representantes da Renault e o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília. Fomos dizer a ele que acreditamos no Mercosul e que estamos apostando no sucesso e na continuidade deste trabalho, argumentou Pierre Smedt.Nova unidade inaugurada ontem é primeiro passo para montadora nacionalizar produção e aumentar participação nas vendas
DivulgaçãoPRODUÇÃO DA CASAVice-presidente mundial da Renault, Alain de Smedt, mostra ao governador Lerner motor fabricado no Paraná





